quarta-feira, 16 de abril de 2014

Tanta falta fazem !


Na noite escura
só as luzes dos candeeiros derramadas sobre as ruas desertas
abandonadas
solitárias
silenciosas
as casas fechadas sem luzes nas portas e janelas

Apenas os cães ladram...

- Tanta falta fazem o brilho das estrelas cintilando no céu
e os sinais da presença dos homens sobre a terra!.....

5 de abril

Foto Net

terça-feira, 8 de abril de 2014

O pescador e o mar


O pescador junto do mar
Nunca está só...

Ouvindo o mar...
Falando com o mar...


Sente -se feliz...
Mesmo sem pescar...

Eduardo Aleixo
6 de Abril

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Marinheiro



 (Foto Net )

- Poema de RITA ALEIXO

( escrito no dia do Pai e da Poesia )

Psiu !
Marinheiro !
Que sabes tu?

O caminho que percorres
segue solto por aí
- cheio de agulhas e buracos
névoas e fracassos -
e nem eu, nem tu, dominamos o mar,nem eu, nem tu somos uma bússola que
sabe as estrelas nortear…


Psiu !
Marinheiro !
Olha o horizonte lá longe,
uma linha plana sem fim…
Como havemos de lá chegar?
se nem eu, nem tu,
sabemos navegar !


De olhar atento perscrutas

o azul infinito dos sonhos,
Os teus braços são como
os mastros do navio

e as tuas mãos agarram
firmes o leme,
fortes na sua vulnerabilidade.
E soltas a âncora,
não sem hesitações.

E é assim que partimos
Eu e tu

E a brisa do vento
E as ondas e o calor do sol
enquanto canções…
Vamos! Dizes tu,
Havemos de lá chegar !

A rota é um mistério por descobrir
E o mar
Todo ele um universo de vida e de morte
cheio de búzios, peixes e areia,
água, por vezes traiçoeira,
e sim, tribulações…

Mas ainda assim, dizes tu,

Havemos de lá chegar !



RITA ALEIXO

 19/3/2014



quinta-feira, 27 de março de 2014

O rosto do vento

Gosto da calma das noites
Após a guerra dos dias
Mas sinto sempre a grande solidão do mundo
Estampada no rosto do vento
Que conhece os segredos 
De todos os caminhos...

In meu livro, " As palavras são de água " - 2009 - Chiado Editora

domingo, 2 de março de 2014

Não há lágrimas mais puras

Tudo fica em mim
Pedra me edifica
Flor
Nervura de folha
Desenhos gravados nas conchas
Músicas legadas aos corações dos búzios
Dores, mágoas, promessas não cumpridas,
Desejos não satisfeitos,
Encruzilhadas, becos,
Bosques inventados em caleidoscópios de magia,
Mas que o sol cru de uma manhã
Ou o vento agreste de uma noite
Ou as circunstâncias que a poesia não descreve
Bolinhas de sabão embatem contra as rochas...
Mas tudo fica no coração do poema
Atordoado
Sublimado
Sublime,
Doce amado poema
Do amor mais puro que há
Perfume que as almas cheiram
Em cálices de suavidade sorridente
Bálsamo de perdão
Não verbalizado:
Não há culpas
Face aos enigmas poderosos
Que atravessam as nossas vidas!
Perante elas me inclino enternecido
No labirinto
Dos versos
Gravados nas paredes das grutas
Por onde passo alado
E digo:
- Não há lágrimas mais puras
Mesmo com resíduos de mágoas
Nem sorrisos mais cristalinos
Nem silêncios mais carinhosos
Do que estes que ouço
À medida que vou escrevendo o meu poema....

Eduardo Aleixo 

No seu livro, " Os Caminhos do Silêncio"


quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Tremoços

Tantas vezes come-se,
não tremoços,
mas o tempo
que nos come....

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Primeira água

Eco, não!
Voz, som, primeira água,
Fonte pequena que seja
É estrela  pura 
Que nasce!

Lx, 16 de Fevereiro 2014

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Como vejo a poesia

A poesia é uma linha muito fina que liga o visível ao invisível.
Assim eu a vejo.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

A outra face do mar



É preciso imaginar o que dizem os búzios! Que conhecem os segredos do mar! Que o mar não deixa contar! Fica apenas um cantar soturno. Um lamento cavo e difuso. O estrondo infindo do choque violento das vagas contra as tábuas dos barcos que submergem e com os barcos as mãos que acenam e imploram e dizem adeus. Os lábios que se beijam. Os corpos que se enlaçam. Os olhos que se fecham. Os choros e os gritos estrangulados na garganta das águas inclementes. Os sonhos acabados de nascer e sepultados no fundo do mar para sempre. Eis o que dizem os búzios. Ou imagino que diriam. Se pudessem falar.

Eduardo Aleixo 


Foto Net

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Rosto puro e sábio

A máscara do número
E o vestido da palavra
encobrem o rosto puro
e sábio do silêncio...

Lisboa, 21 de Janeiro