sábado, 13 de maio de 2017

ROSAS

Do centro onde a luz perpétua brilha
Que caminhe sempre em direcção às rosas pacificas
A que peço protecção
Rosas
Que cansadas
Murcham
Apenas pelas investidas raivosas do vento !
( em todas as datas e lugares )

Travessia do deserto

Quando o gato enroscado afunda o focinho dentro do pêlo eremita
prepara a travessia do deserto.
O vento espalha nas areias debaixo das estrelas
As sementes das escolhas dolorosas.
Principio da espera.
Maturação.
Até que te cresça
Um novo ser
No chegar da Primavera.
Eduardo Aleixo
( em todas as datas e lugares )

sexta-feira, 5 de maio de 2017

LAI SI

Foto de Eduardo Aleixo.

Levantei-me da cama e abri a janela e o sol inundou o quarto todo com a sua luz!
Debrucei-me na janela para o dia, a agradecer a Deus e ao Universo, como sempre faço, o estar vivo e poder desfrutar de mais um dia de vida.
Voltei para o quarto e abri a porta e disse:
- deixa- me fechar a porta,antes que a Lai-si venha disparada como uma seta e salte para o parapeito da janela e mais uma vez salte do quinto andar, assim que veja um pássaro voando!...
Então... lembrei-me de que já não era preciso fechar a porta do quarto!
Já não era preciso!
.

Eduardo Aleixo

Meu olhar...

( Só ) nas palavras
em mim confiadas
confio.
Depuradas
são fio.
Meu bote.
Meu olhar.
Meu rio.
Eduardo Aleixo
!3/12/2012

ALTAR DO CEU

Paisaagem que transmite serenidade
Perto da Ermida da Senhora de Arcelli  ( altar do céu )
Castro Verde - Mértola

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Amorosamente acarinhados


Sempre que nos falamos e olhamos
sem teias nas palavras e sem brumas no olhar

é que nos vemos
amorosamente acarinhados com o todo
do céu e da terra
da vida e da morte
da alegria e da tristeza
da solidão e do abraço
do amor e das mágoas
da mentira e da verdade !
Eduardo Aleixo
Janeiro 2013

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Respiro. no tempo suspenso.

21/02/2016
Respiro.no tempo suspenso.à beira do lume aceso.ouvindo o vento.parado no tempo.mas sinto que me movo. num tapete que se move....

Sem inquietação e com aceitação involuntária fluxo sou que se desloca e não se nota.
Mas noto e estranho esta minha estranha e voluptuosa serenidade...
Eduardo Aleixo
Noite de Fevereiro

quinta-feira, 13 de abril de 2017

ESTEVAS

São lindas as flores das estevas.....
Tenham um bom dia...

Nem alegre nem triste

Leve de afago nem alegre nem triste indelevelmente quase doce
Longínquo intermitente sem que se espere
Estendido no dorso infinito do mar
Não é este não o teu cantar permanente e eterno de visitas liquidas aos nossos pés descalços,
Não,
São as gares e os lenços
Como rendas de espuma,
Barcos
Que perduram
Sem remos
Nem destino
Nas névoas navegantes da memória !....
Costa da Caparica, Junho de 2015


sábado, 8 de abril de 2017

Tudo passa

Tudo passa
mas tudo fica.
Tudo lembra
mas tudo esquece.
Estranhamente...
é tudo estranho.
Ou talvez não:
era noite,
ora amanhece.
Tudo é diferente,
mas se repete...

Eduardo Aleixo

( em todas as datas e lugares)

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Na companhia das giestas

Nestes dias na companhia das giestas ouvi o vento fazendo balouçar os braços dos pinhais e ouvi o vento e perguntei como sempre pergunto o que diz o vento e ouvi os pássaros cantarem e perguntei como sempre pergunto o que dizem os pássaros quando cantam àquilo que não sei....
Eduardo Aleixo
6 de abril

quinta-feira, 30 de março de 2017

A outra face do mar

É preciso imaginar o que dizem os búzios! Que conhecem os segredos do mar! Que o mar não deixa contar! Fica apenas um cantar soturno. Um lamento cavo e difuso. O estrondo infindo do choque violento das vagas contra as tábuas dos barcos que submergem e com os barcos as mãos que acenam e imploram e dizem adeus. Os lábios que se beijam. Os corpos que se enlaçam. Os olhos que se fecham. Os choros e os gritos estrangulados na garganta das águas inclementes. Os sonhos acabados de nascer e sepultados no fundo do mar para sempre. Eis o que dizem os búzios. Ou imagino que diriam. Se pudessem falar.

Eduardo Aleixo
2011