sábado, 18 de junho de 2011

Em memória de Saramago - um ano depois

Ergo uma rosa, e tudo se ilumina / Como a lua não faz nem o sol pode; / Cobra de luz ardente e enroscada / ou ventos de cabelos que sacode. / Ergo uma rosa, e grito a quantas aves /
o céu pontua de ninhos e de cantos, / Bato no chão a ordem que decide / a união dos demos e dos santos. / Ergo uma rosa, um corpo e um destino / contra o frio da noite que se atreve / e da seiva da rosa e do meu sangue / construo perenidade em vida breve. / Ergo uma rosa, e deixo e abandono / quanto me doí de magoas e assombros. / ergo uma rosa, sim, e ouço a vida / Neste cantar das aves nos meus ombros.
- José Saramago
- Cedido pela minha amiga, Água do Mar, a quem agradeço.
Postar um comentário