quinta-feira, 8 de setembro de 2011

MAR

1. É preciso imaginar o que dizem os búzios.
É preciso imaginar o que dizem os búzios. Que conhecem os segredos do mar. Que o mar não deixa contar. Fica apenas um cantar soturno. Um lamento cavo e difuso. O estrondo prolongado do choque violento das vagas contra as tábuas dos barcos que submergem e com os barcos as mãos que acenam e imploram e dizem adeus. Os lábios que se beijam. Os corpos que se enlaçam. Os olhos que se fecham. Os choros e os gritos estrangulados na garganta das águas inclementes. Os sonhos acabados de nascer e sepultados no fundo do mar para sempre...
Eis o que dizem os búzios. Ou imagino que diriam. Se pudessem falar... -

2.

Já sei porque gosto do mar. Sou como ele, violento e calmo e solitário e acompanhado por todos os segredos, mistérios e sentimentos do mundo.

3.

De novo junto do mar, e sempre...já não apanho conchas, as raras, as mais lindas, como costumava dizer.

Limito-me a olhá-las, a acariciá-las,com amor e respeito e penso: não são minhas, são do mar que eu amo.

E sei que isto é assim, porque cresci e envelheci.

E acho que está bem a doçura do que sinto.

4.

Afinal, apanhei mais uma concha

Não fui eu que a escolhi

Foi ela que me escolheu

Vá-se lá saber porquê...

5.

Olhos de camelo vassourando a lonjura do deserto

Assim a gaivota grande de papo branco baloiça sobre as águas azuis e rasas e calmas do mar

Solitária esbelta e livre

Levanta voo brioso

E segue o parceiro que a chama

No voo alucinante sobre as águas...

Foto Net
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