quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Imaginações ( 3 )


( foto Google )

Os Interstícios

O meu olhar procura
O espaço escondido
No meio das pedras antiquíssimas.
São os interstícios!...
Passagens que me levam
Ao sítio misterioso dos búzios.
Ao país sem tempo dos perfumes.
À quentura infinita
De todos os regaços,
Seios,
Braços apertados,
Abraços,
Olhos luminosos:
Parecem os teus olhos,
Mas não são, não!...
São os olhos das estrelas!
Tristes e tão sós!
Com saudades de nós!...

( poema que consta do meu livro, " As palavras são de água ".



Não sou só eu a procurar os interstícios, eles também me procuram!
É  um encontro preparado nos caminhos misteriosos do silêncio!...
A consciência do encontro é num tempo sem consciência do tempo.
É um estado de leveza.
De não pensamento.
É então que observo e sinto e pressinto, mas não penso.
É uma forma diferente de ver, de sentir, mas nunca de pensar!
O pensamento não se torna necessário!
As palavras surgem e contam o que os olhos vislumbram.
As imagens que elas traçam são o que os olhos vêem.
Nem posso dizer que espreito pelos interstícios das pedras, ou das folhas, ou das nuvens libertando-se à superfície das águas.
Vou indo sem medo, com uma atenção redentora e uma suavidade no corpo, conduzido pelas asas do sonho.
Não sou acção. Faço parte de um processo.Que não leva muito tempo.Não sei.Sei apenas que se quebra, quando tomo consciência do meu corpo.
Então vejo onde estou.
E acho que sonhei!

sábado, 12 de janeiro de 2013

Imaginações ( 2 )



( Foto de Lucília Ramos )

O indizível

Também acho que é o indizível que me move e me toca às  vezes. 

Saudades do indizível do que vi na realidade da minha imaginação ou no meu imaginar matematicamente real.

Mas as saudades do chão que piso também as sei como se fosse estrela com saudades da terra de onde tivesse um dia voado como pássaro ou anjo.

É um sentimento melancólico, um pouco triste e estranho, como se eu fosse um estrangeiro  neste mundo, este de ter saudades da terra quando chego ao céu e saudades do céu quando na terra dos homens vivo, que é o caso.É como se tivesse esquecido vestes minhas em qualquer parte do universo e gostasse de as recuperar e sentisse um vazio semelhante ao que sentem os amantes com a falta do bem amado, quando no deserto do mundo luminoso do universo sem fim me faltassem coisas finitas como a casa, o mar, o cheiro dos campos, o riso das crianças, o cantar dos pássaros, o olhar amado dos seres, a frescura das manhãs, a cor cálida dos poentes avermelhando as águas azuladas do mar!...

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Imaginações ( 1 )


As fontes












( foto de Lucília Ramos )

Apelo irresistível pelas fontes!

Mas fontes sentidas como se já conhecidas em tempos e espaços não lembrados, mas com afagos indesmentíveis de lembranças!

Saudades de lugares e de tempos fora dos  lugares e dos  limites do nosso tempo!

Inexistentes, improváveis e impossíveis, dentro da lógica da objectividade, eles existem ontologicamente em  mim, como se águas limpas no meu peito me deixassem ver curvado sobre um tempo que ficou indelevelmente gravado e que de súbito se esvai como se pertencesse à eternidade e deixasse a impressão suave de um sinal, de um trilho, de uma marca, de uma mensagem cinzelada como testemunho e testamento na pele invisível da minha alma!...   

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Estranha mas real a noite...


Estranha mas real a noite,
com os  pensamentos, sentimentos e emoções
desfilando livremente nos caminhos do silêncio,
onde me olham,
e me acenam,
a mim,
que apenas
os observo!...

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Meu olhar


( Só) nas palavras
em mim confiadas
confio.

Depuradas,
são fio.

Meu bote.
Meu olhar.
Meu rio.

(13!1!2012 )

sábado, 22 de dezembro de 2012

O poema e eu



O poema diz-me
Que não precisa de mais palavras!
Que está contente
Com as palavras que tem!
Eu digo apenas:
- Está bem!

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

O tempo...

Dá que pensar, o tempo, diluído...
Ganho?
Perdido?
Inobservado.
Impossuído.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

É a escrita que me escreve













É a escrita que me escreve.
É o sonho que me sonha.
É o céu que me lembra das raízes.
É o indizível que me cuida das palavras.

( Foto Net )


quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Debruçado à janela das sílabas


Que mundo é esse que vejo,
debruçado à janela das sílabas,
onde o ar é mais leve,
e mais perceptível
a conversa dos pássaros?!
-
Eduardo Aleixo
-
Foto Net

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Nota biográfica

Um meteorito caiu !
Dormindo nele vim eu !
Que notícias de infinito !
Que anos perdidos de céu !

Foi ilusão pretender
lembrar-me do Paraíso,
contar histórias encantadas,
de noites sem voz e sem riso !

Rãs concertando nas águas,
estrelas acenando nos céus,
mil sonhos nos meus cabelos,
meus olhos cobertos de véus !

Um meteorito caiu !
Dormindo nele vim eu !
- Onde estão as minhas vestes ? !
-  Nem na terra, nem no céu !

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Flor de lótus


O céu rejubila com a chegada do voo das asas carregadas com o cheiro sagrado da terra!
O meu anjo sorri, doce, irónico, grato, com cara de criança sábia, quando lhe digo que não sinto necessidade de fazer referência às suas asas!
Foi no momento do sorriso que tive a certeza de que ele era o meu anjo verdadeiro|...
Leva-se tempo a entender certas coisas!...
E nunca se entenderão verdadeiramente sem o sabor agridoce das raízes...
Também se pode aprender esta lição com a flor de lótus.
Ou com as árvores.
Só então entenderemos o que a aves cantam nos seus ramos!

sábado, 20 de outubro de 2012

Cristais



Há palavras cansadas de tempo
que num último respirar
se libertam do tempo!
São cristais
reflexos de uma vida vivida, sofrida, morta,
mas agora renascida!

sábado, 6 de outubro de 2012

Sem lembranças de nada

Que parte de nós é receptiva à essência das coisas, às palavras mais puras, à beleza das mensagens, à aceitação sem medo dos caminhos inimaginados, à abertura das cortinas longe do propósito de as abrir, é como se deixássemos de ser pesados no hábito de o sermos, é como se..., não: é mesmo quando planamos sem o sabermos, quando estamos leves sem o pensarmos ser, é quando somos outros que outros olhos se abrem, não sei em que parte de nós é outra a consciência, outro o patamar do ser. É então que as coisas sublimes (me) acontecem. Sem explicação. Com uma realidade própria. Leves e sábias. Envolvido nelas, como se corpo em nuvem, sou pureza de musgo e alga, dentro e fora, apenas luz, sem lembranças de sombras. Sem lembranças de nada!
País, de que mundo?
Consciência, de que vida?
Não sei.
Apenas que faço parte de que mistério(?), quando disso nem me lembro, me vejo viajando no mundo em que passo, mas tão leve me sinto, que dou um passo, sem limite nem de tempo, nem de espaço...

domingo, 9 de setembro de 2012

É um recanto, aqui!


É um recanto, aqui!
Podia ser noutro lugar!
Não importa!
O importante é que seja um recanto.
Onde a alma diga:
Aqui,
É o meu canto...
.
No meu último livro, " Os Caminhos do Silêncio "
Chiado Editora,Out. de 2011
.

foto net

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Fome e sede

Fome e sede da expressividade firme mas serena do silêncio,
voz insuspeita do inefável perfume de todas as rosas,
do afago fresco das brisas sobre os cabelos das ervas perfeitas,
da harmonia e plenitude dos abraços  sem espaço e sem tempo,
onde não há palavras como deve e haver e ter e ganhar e competir,
mas apenas a clareira dos bosques onde nos sentamos à beira dos regatos
e aguardamos o canto das aves para de novo partirmos,
mais leves, mais fraternos  e  mais amorosos...