terça-feira, 9 de agosto de 2011

Poema de Graça Pires

Todas as palavras são adequadas
para evocar os dias para serem agarrados
à cal da casa onde nascemos.
Quase nada sei a meu respeito
desse tempo tão claro em que as sombras
eram apenas a antecipação da noite.
Tento imitar aquela inocência
próxima da brancura dos lírios
e do frémito do rio abraçando o mar.
Torna-se difícil encontrar os sinais
sobreviventes da memória: a prata do chocolate
pacientemente alisada, as velas dos moinhos,
as cerejas carnudas, a roupa a corar sobre a erva,
a claridade das mãos da minha mãe
carregadas de tarefas e de presságios.
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In " A incidência da luz " - de Graça Pires.
Com prefácio de Isabel Mendes Ferreira.
E Posfácio de Alice Macedo Campos.
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Foto Net
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