quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Debruçado à janela das sílabas


Que mundo é esse que vejo,
debruçado à janela das sílabas,
onde o ar é mais leve,
e mais perceptível
a conversa dos pássaros?!
-
Eduardo Aleixo
-
Foto Net

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Nota biográfica

Um meteorito caiu !
Dormindo nele vim eu !
Que notícias de infinito !
Que anos perdidos de céu !

Foi ilusão pretender
lembrar-me do Paraíso,
contar histórias encantadas,
de noites sem voz e sem riso !

Rãs concertando nas águas,
estrelas acenando nos céus,
mil sonhos nos meus cabelos,
meus olhos cobertos de véus !

Um meteorito caiu !
Dormindo nele vim eu !
- Onde estão as minhas vestes ? !
-  Nem na terra, nem no céu !

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Flor de lótus


O céu rejubila com a chegada do voo das asas carregadas com o cheiro sagrado da terra!
O meu anjo sorri, doce, irónico, grato, com cara de criança sábia, quando lhe digo que não sinto necessidade de fazer referência às suas asas!
Foi no momento do sorriso que tive a certeza de que ele era o meu anjo verdadeiro|...
Leva-se tempo a entender certas coisas!...
E nunca se entenderão verdadeiramente sem o sabor agridoce das raízes...
Também se pode aprender esta lição com a flor de lótus.
Ou com as árvores.
Só então entenderemos o que a aves cantam nos seus ramos!

sábado, 20 de outubro de 2012

Cristais



Há palavras cansadas de tempo
que num último respirar
se libertam do tempo!
São cristais
reflexos de uma vida vivida, sofrida, morta,
mas agora renascida!

sábado, 6 de outubro de 2012

Sem lembranças de nada

Que parte de nós é receptiva à essência das coisas, às palavras mais puras, à beleza das mensagens, à aceitação sem medo dos caminhos inimaginados, à abertura das cortinas longe do propósito de as abrir, é como se deixássemos de ser pesados no hábito de o sermos, é como se..., não: é mesmo quando planamos sem o sabermos, quando estamos leves sem o pensarmos ser, é quando somos outros que outros olhos se abrem, não sei em que parte de nós é outra a consciência, outro o patamar do ser. É então que as coisas sublimes (me) acontecem. Sem explicação. Com uma realidade própria. Leves e sábias. Envolvido nelas, como se corpo em nuvem, sou pureza de musgo e alga, dentro e fora, apenas luz, sem lembranças de sombras. Sem lembranças de nada!
País, de que mundo?
Consciência, de que vida?
Não sei.
Apenas que faço parte de que mistério(?), quando disso nem me lembro, me vejo viajando no mundo em que passo, mas tão leve me sinto, que dou um passo, sem limite nem de tempo, nem de espaço...

domingo, 9 de setembro de 2012

É um recanto, aqui!


É um recanto, aqui!
Podia ser noutro lugar!
Não importa!
O importante é que seja um recanto.
Onde a alma diga:
Aqui,
É o meu canto...
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No meu último livro, " Os Caminhos do Silêncio "
Chiado Editora,Out. de 2011
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foto net

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Fome e sede

Fome e sede da expressividade firme mas serena do silêncio,
voz insuspeita do inefável perfume de todas as rosas,
do afago fresco das brisas sobre os cabelos das ervas perfeitas,
da harmonia e plenitude dos abraços  sem espaço e sem tempo,
onde não há palavras como deve e haver e ter e ganhar e competir,
mas apenas a clareira dos bosques onde nos sentamos à beira dos regatos
e aguardamos o canto das aves para de novo partirmos,
mais leves, mais fraternos  e  mais amorosos...

segunda-feira, 30 de julho de 2012

O teu tom













Qual o instrumento que tocas
na orquestra polifónica do Universo?
Qual o  teu rosto,
a tua voz,
o teu som,
o teu tom,
a tua missão?
Eis o que importa!
Antes que a morte...
Nos bata à porta !


( Foto Net )

domingo, 15 de julho de 2012

Somos ramos...



Aqui estamos.
Caminhamos.
Para onde vamos?
Não nos largamos.
Somos ramos.
Da mesma árvore.
Cujo nome, ignoramos !
-
Lx, 13 /1/2012
-
Foto Net

sábado, 7 de julho de 2012

Crescemos com a bênção das águas






É como sair de um túnel
Quase como um parto
Preparado pelo tempo,
Remoído !
Como definir
A sensação
Que oprime 
E liberta o coração
A mistura das folhas secas
Dos labirintos das mágoas
Que se dissolvem nas chuvas
Com as pétalas vermelhas das rosas
Podiam ser amarelas
- seios de mimosas -
Perfumadas auroras
Que vencerão a chuva
Olhar diferente para o mundo
Casa com alicerces que ruíram
Sorrisos novos
Com asas mais leves saímos dos becos
E assim crescemos 
E envelhecemos 
Com a bênção das águas...
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In "Os caminhos de Silêncio " - Chiado Editora, Novembro 2011


quinta-feira, 28 de junho de 2012

Ao meu pai


A tua presença é constante
Nos caminhos que me ensinaste.
Já partiste.
Mas sinto o teu respirar.
-
( poema que me veio à mente no percurso de um caminho do meu alentejo )

terça-feira, 19 de junho de 2012

Diz-me a brisa que passa...

Puro o azul do céu,
O verde das folhas das árvores
e da relva dos jardins,
O vermelho das rosas,
O amarelo dos malmequeres,
O branco dos aloendros,
O rosa das hortênsias,
O lilás dos jacarandás...
......................................
- Todas as cores são puras -
diz-me a brisa que passa
na frescura da manhã !
-
Jacarandá - foto Net

terça-feira, 5 de junho de 2012

Vidas nossas de Amigos idos!

Palavras prontas,
Guardadas,
Só agora reveladas,
Mas com voz de alma desprendida!
Vidas nossas de Amigos idos
Abraços, afagos, desabafos perdidos
Por não dados!...
-
In " Os caminhos do silêncio " - meu último livro

sábado, 26 de maio de 2012

Escreves azul sobre o branco ao lado do verde

Observas o voo perfumado do sonho sonhado na cadeira onde estiveste sentado, e cheiras o perfume do sonho, e revês-te sentado a sonhar ao lado das árvores ( distraído ao longo os anos  sem atentares na identidade  da cadeira do sonho, só agora vês como é inócuo, infértil, amputado, embora sublime, o aroma que sobe no céu infinito e deixa confusas as estrelas  debruçadas nas janelas  do etéreo sobre as águas claras dos rios da terra, como que cheias de saudades das raízes, da frescura da terra, das mãos calosas que a trabalham, do cheiro do suor, do salgado da lágrima, da dança do riso, da liberdade festiva da aventura e da transgressão, da quentura dos corpos dos seres e da terra, ausências notadas nos incensos flutuantes evolando dos turíbulos movimentados por tuas mãos inaptas, impreparadas, inúteis ...)...!!

Acariciado pela luz do sol, e empurrado pela brisa, escreves azul em cima do branco do papel, sobre a mesa ao lado do verde das árvores floridas e com frutos...

Não resististe ao impulso conhecido em direcção às nascentes e aos regaços que sentes desde uma idade que não sabes localizar no mistério do tempo, e foste sentar-te ao lado do verde das árvores, e levaste a folha branca do papel, vazia como tu, vazio do verde, mas cheio dos cinzentos reflexos ecos ruídos guerras e conflitos, e imploraste pelo verde, o teu bosque de plenitude, brasonado em ti, mas situado muito para além da margem do teu rio de águas adormecidas, esquecidas, aparentemente abandonadas!...

Sentas-te então ao lado do verde, e começas por escrever: acariciado pela luz do sol, e assim permaneces, e vais mergulhando no colo da tua face não lembrada, até que já não te dás conta de que escreves, não a palavra: acariciado, mas sim inundado pela luz, e que já não escreves  que te sentes empurrado pela brisa e que deixas de falar  em árvores floridas  e em frutos, porque o teu olhar, dissolvido nos rios que vão na corrente dos leitos frescos por dentro dos troncos das árvores e arbustos, é agora fotossíntese emergente nos dedos esguios das gavinhas e nos sorrisos embriagados  das folhas verdes balouçando no mar azul do céu que com um abraço infinito te recebe.

Dás contigo sem palavras que escrever. A caneta suspensa  no sorriso da luz. O corpo aliviado da necessidade de pensar. Bote atrelado ao cais, reencontro dos seres e das fibras e das pedras e dos átomos  do teu corpo com os átomos de todas as estrelas do universo. É o momento em que terminas o poema e olhas com outro olhar, e acaricias com outras mãos, as tuas, mas cheias de amor pleno, a mesa, e a cadeira, onde sentado escreveste um poema sobre o sonho.
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In "Os Caminhos do Silêncio" , Chiado Editora, Outubro de 2011
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Foto Net

sábado, 12 de maio de 2012

Cavalgando as sílabas do silêncio

Preciso do tempo para o meu tempo como se não tivesse (houvesse) tempo. Único espaço onde respiro e me sinto livre.  Nem preciso de espelho para me ver o rosto que tenho e ser a respiração que respiro. Pode existir ruído, mas só o silêncio se ouve. Catedral de espaço ilimitado. Autenticidade cinzelada a sulco de lâmina no  jade mais profundo e puro. Arco luminescente giza o discurso língua vibrante entre o céu e a terra, entre as águas e o fogo, entre a vida e a morte. No céu desta boca de lume me vejo e falo e me atasco leve e me voo semente na terra amada e sulco as águas bote por janelas de vagas onde assomo as corolas ronronantes do mistério.No centro desta boca ventre sou eterna criança não nascida com memórias sem palavras e receios de esquecimentos de um tempo ainda por nascer ! Mas tudo decifro cavalgando as sílabas do silêncio que enche como almas velhas ondulantes o espaço sem tempo da catedral sem nomes, diluídos nos altares do amor pleno.

In " Os Caminhos do Silêncio ", Chiado Editora, Novembro de 2011      

( Foto minha, Costa da Caparica )