sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Interstício



por onde me transpasso
alcanço outro espaço
alargo o meu olhar
é outro o respirar
mais amplo o verbo amar
já não sou rio
sou mar...


Lx 17 de Julho

domingo, 6 de setembro de 2015

Refugiados

Há situações-limite
em que os nossos egos são desafiados
pela estranha inteligência do universo
para comprovarmos a validade de palavras que
milhares de vezes, comodamente, 
pronunciámos.
Uma delas chama-se solidariedade.

Lisboa, 4 de setembro.

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Fios de água


Gosto de olhar para os fios de água crescendo:
são regatos.
Fico a ver o seu serpentear.
Assim desbravam e constroem o seu caminho.
Nenhum de nós testemunha esta fase da infância das águas,
muito antes que se transformem em ribeiros.
Acho que não sabem ainda que vão desaguar aos rios.
E desconhecem que existe o mar.
Mas caminham.
Sem poderem parar.
Assim também é o nosso caminhar...
18 de agosto
( foto Net )

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

E no chão outros olhos me olham


Olhos postos no céu esperando o risco ígneo das pedras do reino infinito desconhecido
no horizonte limitado da atmosfera envolvente....

Baixo o meu olhar para as folhas das árvores ciumentas da minha atenção.

E no chão outros olhos me olham: 
os do meu cão,
que dizem:
- Por onde tem andado a tua afeição?!


Atrás do banco onde estou sentado na noite ventosa
as águas do Guadiana onde as estrelas se reflectem
continuam a sua viagem indiferente
em direcção ao regaço do mar....

Mertola, 13 de agosto

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

ROSA


A nudez não precisa de palavras.
Simples som e tom e silaba
já são máscaras.
A nudez é completa.
Ponto difícil de chegada.
Bela e violenta e perfeita.
Rosa.

Maio de 2015

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Polida pelo tempo


Sou pedrinha azul de mar
Polida pelo  tempo
Lavada já  de mágoas.

Monte Gordo, Agosto.

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

MAR


Sempre apaixonado pelo mar
sem nunca esquecer as águas do meu rio...

Monte Gordo, Agosto 2015

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Está diferente o meu olhar.

A alma cresce.
O corpo envelhece.
O Espírito assiste.
O mar, o céu, as areias e os sonhos 
permanecem iguais.
Mas está diferente o meu olhar....

Monte Gordo, 21 d3Julho

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Madrugada

O sol nasce dentro de mim.
Pela janela do meu quarto vejo sorrisos
caindo das folhas balouçantes das palmeiras.
Apanho-os.
E vou oferecê-los contente
às ondas doces do mar.

Monte Gordo, 25 de Julho


sexta-feira, 17 de julho de 2015

Eis o rosto do poema


Espaço onde existe a luz
Apelo de barco
Ou palco de dança
Espaço onde o tempo é outro
Lago de águas límpidas
Com sol nos olhos
Vestido de brisa
Tudo de bom e de contente
 Está para chegar
A cama de cambraia pronta
Para o noivado das mansas rolas
É das clareiras com sol e brisa nos bosques doces
Que falo
Da criança que nunca morre
Mesmo velho de barbas brancas
É passaro leve
É correnteza de riacho
Eis o rosto do poema
A pátria da poesia
Que me habita.


(Em todos os tempos e lugares)

terça-feira, 14 de julho de 2015

Recanto


Aqui
É um recanto
Encanto
Afago de alma
Que eu canto.

quarta-feira, 8 de julho de 2015

...da nascente...

Olhando para o mar
lembro-me sempre das águas
irrompendo da nascente......

( em todas as datas e lugares)

13 maio

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Travessia do deserto



( Foto Net )
Quando o gato enroscado afunda o focinho dentro do pêlo eremita
prepara a travessia do deserto.
O vento espalha nas areias debaixo das estrelas 
as sementes das escolhas dolorosas.
Principio da espera.
Maturação.
Até que te cresça
Um novo ser
No chegar da Primavera.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Discernir

Essencial é querer saber discernir 
o espírito que preside à elaboração das palavras,
dos gestos  e dos próprios silêncios.... 
para poder distinguir as máscaras...
da nudez dos rostos,
e assim escutar a voz autêntica da alma...

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Sílaba rutilante



( foto net )

O sóbrio. Prefiro.
Sílaba rutilante.
Diamante.
Lago, não mar, mas com verdades profundas.
Sem falsidades.
Prefiro.
Cada vez mais.
Cardo soberano na aridez
do deserto.
Mas pleno.
Rosto autêntico
Triste.
Ou contente.

Junho 2015