sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Levei muito tempo

Levei muito tempo
a  discernir
no perfume da flor
o cheiro da terra
e das mãos
que a plantaram
com amor !

Lisboa, set.

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Outono

As folhas do Outono
despedem-se das árvores
e caem no chão
onde ficam ...serenas...

( Foto Net )

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Interstício



por onde me transpasso
alcanço outro espaço
alargo o meu olhar
é outro o respirar
mais amplo o verbo amar
já não sou rio
sou mar...


Lx 17 de Julho

domingo, 6 de setembro de 2015

Refugiados

Há situações-limite
em que os nossos egos são desafiados
pela estranha inteligência do universo
para comprovarmos a validade de palavras que
milhares de vezes, comodamente, 
pronunciámos.
Uma delas chama-se solidariedade.

Lisboa, 4 de setembro.

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Fios de água


Gosto de olhar para os fios de água crescendo:
são regatos.
Fico a ver o seu serpentear.
Assim desbravam e constroem o seu caminho.
Nenhum de nós testemunha esta fase da infância das águas,
muito antes que se transformem em ribeiros.
Acho que não sabem ainda que vão desaguar aos rios.
E desconhecem que existe o mar.
Mas caminham.
Sem poderem parar.
Assim também é o nosso caminhar...
18 de agosto
( foto Net )

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

E no chão outros olhos me olham


Olhos postos no céu esperando o risco ígneo das pedras do reino infinito desconhecido
no horizonte limitado da atmosfera envolvente....

Baixo o meu olhar para as folhas das árvores ciumentas da minha atenção.

E no chão outros olhos me olham: 
os do meu cão,
que dizem:
- Por onde tem andado a tua afeição?!


Atrás do banco onde estou sentado na noite ventosa
as águas do Guadiana onde as estrelas se reflectem
continuam a sua viagem indiferente
em direcção ao regaço do mar....

Mertola, 13 de agosto

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

ROSA


A nudez não precisa de palavras.
Simples som e tom e silaba
já são máscaras.
A nudez é completa.
Ponto difícil de chegada.
Bela e violenta e perfeita.
Rosa.

Maio de 2015

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Polida pelo tempo


Sou pedrinha azul de mar
Polida pelo  tempo
Lavada já  de mágoas.

Monte Gordo, Agosto.

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

MAR


Sempre apaixonado pelo mar
sem nunca esquecer as águas do meu rio...

Monte Gordo, Agosto 2015

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Está diferente o meu olhar.

A alma cresce.
O corpo envelhece.
O Espírito assiste.
O mar, o céu, as areias e os sonhos 
permanecem iguais.
Mas está diferente o meu olhar....

Monte Gordo, 21 d3Julho

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Madrugada

O sol nasce dentro de mim.
Pela janela do meu quarto vejo sorrisos
caindo das folhas balouçantes das palmeiras.
Apanho-os.
E vou oferecê-los contente
às ondas doces do mar.

Monte Gordo, 25 de Julho


sexta-feira, 17 de julho de 2015

Eis o rosto do poema


Espaço onde existe a luz
Apelo de barco
Ou palco de dança
Espaço onde o tempo é outro
Lago de águas límpidas
Com sol nos olhos
Vestido de brisa
Tudo de bom e de contente
 Está para chegar
A cama de cambraia pronta
Para o noivado das mansas rolas
É das clareiras com sol e brisa nos bosques doces
Que falo
Da criança que nunca morre
Mesmo velho de barbas brancas
É passaro leve
É correnteza de riacho
Eis o rosto do poema
A pátria da poesia
Que me habita.


(Em todos os tempos e lugares)

terça-feira, 14 de julho de 2015

Recanto


Aqui
É um recanto
Encanto
Afago de alma
Que eu canto.

quarta-feira, 8 de julho de 2015

...da nascente...

Olhando para o mar
lembro-me sempre das águas
irrompendo da nascente......

( em todas as datas e lugares)

13 maio

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Travessia do deserto



( Foto Net )
Quando o gato enroscado afunda o focinho dentro do pêlo eremita
prepara a travessia do deserto.
O vento espalha nas areias debaixo das estrelas 
as sementes das escolhas dolorosas.
Principio da espera.
Maturação.
Até que te cresça
Um novo ser
No chegar da Primavera.