quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Namíbia...

( Deserto )
Durante duas semanas tive a oportunidade de sair da pequena ilha no equador rumo a um país enorme – a Namíbia. Situada na costa entre Angola e a África do Sul, a Namíbia conquista as pessoas pelas suas diversas e belas paisagens, pela sua natureza e preservação da vida animal selvagem e pelo deserto. As primeiras impressões que tive, curiosamente, foram a estranheza de parecer estar no Alentejo, pela secura e longas planícies desérticas do sul. Isso quase me fez sentir em casa! Aluguei um carro e cada dia fazia no mínimo uns 400 km para chegar a qualquer destino. Posso dizer que passei mais tempo dentro do carro e a conduzir do que a caminhar. Mas mesmo assim não foi possível visitar tudo…
A Namíbia foi uma colónia Alemã e, até à década 90, esteve sob domínio da África do Sul. Isso justifica o elevado número de descendentes Africans e Alemães que lá vivem, mas não deixou de me chocar a existência de tantos brancos a falar alemão ou africans em cidades bem organizadas, com supermercados, bancos e grandes vivendas. Claro que depois percebi a enorme disparidade social existente. Existe uma barreira entre o norte e o sul do país que impede os animais vindos do norte entrarem na zona sul, devido a uma série de doenças que chegaram dos territórios de Angola (segundo explicaram). É igualmente impressionante como essa barreira animal marca a divisão de dois mundos na Namíbia. No sul, tudo muito bem organizado e influenciado pela cultura alemã, onde vivem muitos brancos e onde se encontra também a zona do deserto e a zona restrita dos diamantes.
( Fronteira com Angola - Rio Cunene )
O norte, pobre, mas com mais recursos de água e portanto mais verde, onde se encontram ainda as antigas tribos nómadas, criadoras de animais, que tive a oportunidade de ir visitar. Uma das grandes etnias aí residente são as himbas que são muito conhecidos pois as suas mulheres andam apenas com uma pele à cintura e usam uma pasta ocre na pele que as faz ter uma cor diferente e um cheiro muito característico. Nunca tomam banho em toda a vida. E na cidade do norte, capital desta etnia – Opuwo – circulavam com a maior naturalidade pelos supermercados e bancos! Mas o que mais gostei foi das reservas e da possibilidade de estar próxima de animais e da vida selvagem. Vi pela primeira vez girafas e zebras, diversos tipos de antílopes, gnus e rinocerontes. Vi também elefantes, chitas e chacais. Só não tive a sorte de ver leões… Mas a proximidade da vida selvagem faz-nos estar mais perto do mundo natural e reconhecer a importância da preservação e de que fazemos parte de um ecossistema maior, do qual muitas vezes nos esquecemos existir (e que conhecemos através do zoo). Recomendo vivamente. Foi uma viagem memorável.
Bjs a tod@s Rita

( Cubata da etnia Himba )

- Fotos de Rita Aleixo

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