quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Um coração cheio de flores


Uma só silaba.
Rutilante.
Gota de orvalho na alma sedenta.
Uma criança observa
E desenha na terra
Um coração cheio de flores...
 
 
Novembro

sábado, 1 de novembro de 2014

Exaustas das guerras

As almas,no fundo, aceitam e compreendem,
mas estão exaustas das guerras das palavras 
com que atacam e se defendem.


21 de outubro

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Poeta disfarçado de pastor

Quando a tristeza é vazada 
No cálice luminoso do poema 
E a alegria borbulha como espuma sussurrante nas corolas festivas das camélias,
Surge o poeta disfarçado de pastor, assobiando às ovelhas,
Com amor.

20 de outubro


domingo, 12 de outubro de 2014

Recomeço sobre as dunas

De noite reciclo-me mergulhado no mar.
No sol da madrugada purifico-me.
Danço e recomeço sobre as dunas.

Out, 214

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Tudo passa como os sons...


Tudo passa como os sons
Como barcos
Nas águas das nossas células.
Basta apenas atenção à música 
Que o vento vibratório 
Repercute nas velas.
Respiramos amplos e leves 
E localizamos em que parte da nossa embarcação 
Se abriu a ferida do vento.
Com amor acariciamos a ferida
Beijemo-la e havemos de reparar
Que as nuvens se dissiparam
E o céu fica mais claro

Para a dança dos golfinhos!....

fim de set.


quarta-feira, 1 de outubro de 2014

O antes da nascente!

Não há cedo nem tarde
Não há tempo
Há o estar atento
Sem saber que se está
Quero o antes da nascente
E do sol poente
Acordar dos pássaros
E dormitar dos seus cantos
Noivado dos goiveiros,
Silabas com sonho das palavras,,
Pauta da música entregue à folha do outono que cai,
Quero o puro beijo
Com a saliva mestra de todas as rosas trágicas e festivas,,
Que as palavras fiquem invejosas,
E que os risos vençam a morte,
no amor pleno
Das brisas frescas da madrugada...

30 Setembro

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Tesouro das brisas...

Onde entras e recebes brisa indelével sobre a pele da alma,
pegadas segredos registos de sorrisos e de lágrimas.
Nervuras dos teus passos,
Aroma dos teus percursos.
Sentes-te bem.
As pancadas do coração são harmónicas 
Com os sorrisos dos goiveiros,
Cumplicidade doce dos pássaros
Que sabem 
Que tudo fica guardado no tesouro das brisas....

Setembro

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Sótãos


Eram sótãos.
Há sempre sótãos.
Com coisas escondidas.
Até que as chaves caem aos teus pés

e, se estiveres atento,
com elas abres as portas fechadas
e ficas boquiaberto
ao ver lá dentro
bocados de ti,
esquecidos,
não lembrados,
como que não sabidos,
ali,
abandonados,
não vividos!...
Ficas surpreendido,
e ganhas, de súbito, uma nova consciência,
abraças-te a ti mesmo
no abraço das partes que te abraçam
e que a ti regressam
como filhos resgatados!...


( Foto Net )

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Transmutação

As sombras, com todos os seus nomes,
Lavadas nas águas no fundo da terra,
Transmutadas em pedra sorridente de cristal 
Que sobe
E me invade o coração,
Luminoso poema,
Assim te quero!

28 agosto

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Fios de água

Existe o mar.
Existem os rios.
Eu canto os fios de água! Lx, agosto

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Nudez

A nudez não precisa de palavras.
Simples som e tom e silaba
Já são máscaras.
A nudez é completa.
Ponto dificil de chegada.
Bela e violenta e perfeita.
Rosa
.

Lisboa, agosto

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Árvores à janela

Árvores à janela seria uma coisa normal
Se as pessoas fossem árvores.
Nem todas são.
Eu sou.

Ix, Agosto

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

A poesia

A poesia como a vejo e sinto 
Não explica nem gosta de explicações.
Ela é simplesmente.
Insinua.
Dança no arame tenso em cima do abismo
E sorri 
E brinca com a morte
Que respeita mas não teme.
A poesia como a sinto
Não é intelectual.
É apenas água.
Que bebe água das fontes do amor
E a põe a correr nos caminhos
Que vão dar aos corações....
Sem explicações...

Eduardo Aleixo 
 24 de Julho

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Simples

Cada vez gosto mais do que é simples.
Por exemplo, esta cana.
É uma flauta.
Dá música.
Que se espalha pelos campos.
E é respeitada pelos pássaros. 

Lx, Agosto.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Nostalgicamente

Sempre gostei
das gares e dos portos.

Nostalgicamente.

Sou barco triste.
 
Que canta!

Mértola 

24 de Julho