Quando a tristeza é vazada
No cálice luminoso do poema
E a alegria borbulha como espuma sussurrante nas corolas festivas das camélias,
Surge o poeta disfarçado de pastor, assobiando às ovelhas,
Com amor.
Tudo passa como os sons
Como barcos
Nas águas das nossas células.
Basta apenas atenção à música
Que o vento vibratório Repercute nas velas. Respiramos amplos e leves E localizamos em que parte da nossa embarcação Se abriu a ferida do vento. Com amor acariciamos a ferida Beijemo-la e havemos de reparar Que as nuvens se dissiparam E o céu fica mais claro Para a dança dos golfinhos!....
Não há cedo nem tarde Não há tempo Há o estar atento Sem saber que se está Quero o antes da nascente E do sol poente Acordar dos pássaros E dormitar dos seus cantos Noivado dos goiveiros, Silabas com sonho das palavras,, Pauta da música entregue à folha do outono que cai, Quero o puro beijo Com a saliva mestra de todas as rosas trágicas e festivas,, Que as palavras fiquem invejosas, E que os risos vençam a morte, no amor pleno Das brisas frescas da madrugada...
Onde entras e recebes brisa indelével
sobre a pele da alma,
pegadas segredos registos de sorrisos e de lágrimas.
Nervuras dos teus passos,
Aroma dos teus percursos.
Sentes-te bem. As pancadas do coração são harmónicas Com os sorrisos dos goiveiros, Cumplicidade doce dos pássaros Que sabem Que tudo fica guardado no tesouro das brisas....
Eram sótãos. Há sempre sótãos. Com coisas escondidas. Até que as chaves caem aos teus pés e, se estiveres atento, com elas abres as portas fechadas e ficas boquiaberto ao ver lá dentro bocados de ti, esquecidos, não lembrados, como que não sabidos, ali, abandonados, não vividos!... Ficas surpreendido, e ganhas, de súbito, uma nova consciência, abraças-te a ti mesmo no abraço das partes que te abraçam e que a ti regressam como filhos resgatados!... ( Foto Net )
As sombras, com todos os seus nomes, Lavadas nas águas no fundo da terra, Transmutadas em pedra sorridente de cristal Que sobe E me invade o coração, Luminoso poema, Assim te quero! 28
agosto
A nudez não precisa de palavras. Simples som e tom e silaba Já são máscaras. A nudez é completa. Ponto dificil de chegada. Bela e violenta e perfeita. Rosa.
A poesia como a vejo e sinto Não explica nem gosta de explicações. Ela é simplesmente. Insinua. Dança no arame tenso em cima do abismo E sorri E brinca com a morte Que respeita mas não teme. A poesia como a sinto Não é intelectual. É apenas água. Que bebe água das fontes do amor E a põe a correr nos caminhos Que vão dar aos corações.... Sem explicações...
Cada vez gosto mais do
que é simples. Por exemplo, esta
cana. É uma flauta. Dá música. Que se espalha
pelos campos. E é respeitada
pelos pássaros. Lx, Agosto.