sábado, 1 de maio de 2010

Chove, chuva...

Chove. E é importante que chova!
A chuva embala
o silêncio da chuva
que molha as palavras
entre a alegria e as mágoas.
Alaga as estradas da memória.
Irrompe pela clareira do presente.
E invade os caminhos do futuro que não sei.
Tudo isto agora
em que as palavras querem água
e não deixam de sonhar com o mar da alegria,
que digo eu, com o infinito da plenitude,
da serenidade,
do navegar imensamente calmo
e firme
nas ondas azuis e verdes e vermelhas
da liberdade!
Chove, chuva,
irmã do sol e da luz
que afasta as brumas,
mas sem elas, como saborear
a candura e a transparência do céu que não engana?
Chove na noite,
e à medida que as palavras são molhadas
vai-se fazendo luz,
como se fosse a chegada paulatina
da madrugada!...
-
Lisboa, 17 - 18 de Abril de 2010
-
Os caminhos do silêncio
Foto google
Postar um comentário