domingo, 27 de junho de 2010

Nasce então como num parto um novo rosto

As palavras estilhaçam como pedras
a caliça das águas secularmente calmas do lago
que se tem por segurança,
limos,
que entaipam os peixes,
belos dançam,
saudosos do voo das aves,
mas que nunca viram!
Nasce então, como num parto,
um novo rosto,
que parte,
como se fosse um barco,
ao encontro do seu rosto...
-
In, "As palavras são de água "

8 comentários:

Anônimo disse...

Boa tarde, Amigo Eduardo.
É uma maravilha vir "cuscar" o teu blog.habituei-me à música que nos ofereces enquanto te lemos e devo dizer-te, Amigo, que nos faz bem.

As palavras que te ofereço são do "nosso" Ricardo Reis, toma então nota:
Para ser grande , sê inteiro:
nada teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
no mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha,porque alta vive.
Um abraço da
Água do Mar
Domingo/27

Lucília Benvinda disse...

Lindo demais este teu poema. Renasceremos todos com um belo rosto, sem dúvida, quando o sonho se sobrepuser a esta realidade medíocre. Aí sim, voaremos saudosos do que já sabemos que existe mas ainda não encontramos.

Gostei...amigo!

E beijos,
Lu

CamilaSB disse...

E as palavras voam
feito aves
renascidas do lago
à procura das verdades...
ao encontro
de um novo rosto.

Olá Eduardo...gostei muito de como
agitou as águas paradas do lago, fazendo saír dele tão bela poesia! Gostei também da imagem, um beijinho e bom domingo!

Paula Raposo disse...

Gosto muito dos poemas deste teu livro!
A imagem também foi muito bem escolhida, sem dúvida.
Beijos.

Manuela ramos Cunha disse...

Este poema está interligado com o abaixo exposto.

Parto, rosto novo, enfim...vida nova é o que tem que ser!

Por mim...assim será a configuração do meu ser, ou seja, eu gostaria de ter um corpo e um rosto novo, AZAR - como diz o meu netinho Dani - é o que há e quem dá o que tem...

Obrigada Eduardo por seres poeta e teres ... já me perdi no que ía dizer e já me venci no cansaço!

Abraço

gaivota disse...

este teu livro de palavras paridas... e cheias de mar!
e sereias... embaladoras de pescadores...
beijinhos

Graça Pires disse...

As palavras feitas água, feitas parto, feitas barco... Belíssimo!
Um beijo, Eduardo

Baila sem peso disse...

Vim lendo o atrasado
a Morte de Saramago
A Chegada do poema
o Poema
entrelaçado
fazendo como num parto
um novo rosto

onde reina o teu bom gosto!
E logo mais acima
o delírio de uma menina
que se vê em aventuras
numa terra, com amarguras...

Obrigada Eduardo pelo teu carinho
com que pintas teu cantinho
para quem passa de mansinho :)

Doce beijinho