segunda-feira, 10 de junho de 2013

E assim vamos...até quando?



Neste tempo incerto, amargo, injusto, imoral, desiludido, amargurado, sitiado, de rosto frio, tecnocrático, formal, mas democrático, país europeu herdeiro garboso da civilização ocidental cristã, à beira-mar plantado com  barcos vazios de remos e redes parados com os peixes ilesos contentes nas águas infinitas do mar; país de barriga gorda dos subsídios para cimento de   estradas e  prédios para gente cada vez mais pobre para os poder utilizar;  riqueza de campos com  frutas desprezadas no chão por não terem as dimensões das regras comunitárias e assim impedidas de entrarem no sagrado templo do mercado; país de  corrupção descontrolada, de desemprego sempre crescente, com os trabalhadores do Estado perseguidos como se fossem uns bandidos; aposentados que descontaram toda a vida legalmente e que são roubados para pagarem as dívidas que não contraíram; velhos assaltados nas suas residências solitárias; um Estado que não belisca os interesses gananciosos dos poderosos; uma Justiça que é raro fazer justiça; uma Classe Política em que pouca gente já acredita; um Presidente da República indiferente aos apelos do povo para que intervenha e contribua para emendar o rumo trágico do país…
( Prosaico-presidencialmente falando ):
- tal não é aconselhável, pois não está em causa a legitimidade do governo, sendo que uma intervenção nesse sentido expressaria apena um desejo fácil de protagonismo inútil…
Por isso, ponho-me a inventar metaforicamente a  palavra certa, que rasgue e sangre o ventre  teimoso e míope do pensamento dominante, que esmaga  e destrói  a alegria e a esperança de vivermos felizes, e descortino que só em palavras como
 Cardo
 Pedra
Rubro
 Seta
 e outras a inventar urgentemente e  tenham o perfume e  os picos das rosas  e  caminhem em marcha fogosa e firme nas rotas  fora  da lógica de todos os poderes mafiosos, os instalados  no poder, e os que se encontram fora do poder e apenas desejosos de o conquistar, mas vassalos de esquemas doutrinários divorciados dos anseios dos tempos que carecem de  novos olhares e pensares…
…poderá encontrar-se  a fonte fresca e limpa ainda não morta da liberdade aurora inocência  corpo vivo semente fermento ideias  sentimentos sem medo com amor e  fogo  e  água ilimitada jacto  pronto a  ser usado  para derrubar o beco em que o mundo desemboca e nos esmaga e nos sufoca…
( Prosaicamente outros falando : utopia, lirismo, palavras perigosas, populismo… )

E assim vamos: ….até quando?

( Escrito em Portugal, 10 de Junho, Dia de Camões )



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