sexta-feira, 15 de outubro de 2010

A ÁGUA NO MUNDO

Na minha infância, ia sempre, com o meu pai, todas as semanas, buscar água aos poços e às fontes, que havia nas aldeias do concelho da minha terra, em Mértola, no Alentejo. Quanto às águas do rio, o Guadiana, que banha Mértola, corriam limpas e eram transparentes. Os peixes, abundavam, e gostava de vê-los vencendo a força das cataratas em direcção à nascente, procurando os fundos de seixos ideais para a desova. Durante o inverno o rio galgava as encostas íngremes e formava cheias de cor acastanhada, espectaculares, e era assim que, de acordo com as leis da natureza, as águas fertilizavam os solos e, baixando depois, recuperavam os tons claros e leitosos, dando a sensação de rio com cara mais lavada. Quando eu era pequeno havia muita miséria e desequilíbrios sociais profundos, mas existia o equilíbrio e a aproximação entre os homens e a natureza. Não havia falta de água ! Hoje... As fontes ainda existem, mas contaminadas. As águas do Guadiana já não são as mesmas, têm sinais de poluição, e é habitual em certos períodos não ser recomendável comer-se o peixe mais popular e resistente, que é a "tainha", e que, na minha terra, se chama, "muge". Há muitas espécies de peixes que já não sobem o rio para a desova, com a frequência e a quantidade de antigamente, como é o caso do " sável". E por vezes surgem peixes mortos boiando à tona da água. A poluição é, como sabemos, fruto da ganância dos homens, que preferem o crescimento económico desenfreado ao desenvolvimento harmonioso da economia. As águas do rio já não galgam as encostas, já não existem as cheias que regulavam todos os anos a actividade do seu caudal e as águas são de uma cor esverdeada...
Com o êxodo rural e o crescimento das cidades as necessidades humanas cresceram e o egoísmo também. Hoje é sabido que os gastos em água são exorbitantes nos países desenvolvidos, mas a água é cada vez mais um bem escasso. Estudos recentes indiciam que a água será um problema social e político grave dentro de pouco tempo.

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Lembro-me de Exupéry que, nos seus livros, falando no deserto, enaltece o valor milagroso de uma laranja !...
Uma laranja no deserto, repartida, saboreada, sugada milimetricamente...
O valor da laranja para quem, com sede, sozinho, se encontra no deserto...
Isto faz-me pensar que, com a escassez da água, no deserto pobre material e espiritualmente falando do mundo próximo-futuro, uma gota de água é como a laranja disputada de Exupéry....
Bem pior!
Porque uma gota de água... como se parte, como se divide?
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Muito há a fazer para que a água não diminua e não se transforme numa gota...
Para isso há que despertar a consciência dos homens...
É o que se pretende neste dia.

Recebam a minha humilde contribuição para esse propósito.

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Eduardo Aleixo

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