sábado, 19 de dezembro de 2009

Poema de Natal

Natal de quem?

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Mulheres atarefadas

Tratam do bacalhau,

Do perú, das rabanadas.

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- Não esqueças o colorau,

O azeite e o bolo-rei!

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- Está bem, eu sei!

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- E as garrafas de vinho?

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- Já vão a caminho!

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- Oh, mãe, estou pra ver

Que prendas vou ter.

Que prendas terei?

-

- Não sei, não sei...

-

Num qualquer lado,

Esquecido, abandonado,

O Deus-Menino

Murmura baixinho:

- Então e Eu,

Toda a gente Me esqueceu?

Senta-se a família

À volta da mesa.

Não há sinal da cruz.

Nem oração ou reza.

Tilintam copos e talheres.

Crianças, homens e mulheres

Em eufórico ambiente.

Lá fora tão frio,

Cá dentro tão quente!

-

Algures esquecido

Ouve-se Jesus dorido:

- Então e Eu,

Toda a gente Me esqueceu?

-

Rasgam-se embrulhos,

Admiram-se as prendas,

Aumentam os barulhos

Com mais oferendas.

Amontoam-se sacos e papeis

Sem regras nem leis.

E Cristo Menino

A fazer beicinho:

- Então e Eu,

Toda a gente Me esqueceu?

-

O sono está a chegar.

Tantos restos por mesa e chão!

Cada um vai transportar

Bem-estar no coração.

A noite vai terminar.

E o Menino, quase a chorar:

- Então e Eu,

Toda a gente me esqueceu?

Foi a festa do Meu Natal

E, do princípio ao fim,

Quem se lembrou de Mim?

Não tive tecto nem afecto!

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Em tudo, tudo, eu medito

E pergunto no fechar da luz:

- Foi este o Natal de Jesus?!!!

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Poema de João Coelho dos Santos, in: " Lágrima do Mar - 1996 - O mais belo poema de Natal

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O poema foi-me enviado pela minha querida amiga, Frutuosa dos Santos, a quem agradeço.

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As fotos são do Google.

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