domingo, 14 de fevereiro de 2010

OS MEUS AMIGOS

Amigos cento e dez e talvez mais,
Eu já contei! vaidades que eu sentia!
Pensei que sobre a terra não havia
Mais ditoso mortal entre os mortais.
-
Amigos cento e dez, tão serviçais,
Tão zelosos das leis da cortesia,
Que eu já farto de os ver, me escapulia
Às suas curvaturas vertebrais.
-
Um dia adoeci profundamente,
Ceguei.Dos cento e dez houve um somente
Que não desfez os laços quase rotos.
-
Que vamos nós ( diziam ) lá fazer,
Se ele está cego, não nos pode ver...
Que cento e nove impávidos marotos.
-
Camilo Castelo Branco
( Parceria com o blogue http://noitesdeinsonias.blogspot.com )
Postar um comentário