quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Poema do velho de barbas brancas

Havia um velho de barbas brancas
Que vivia numa cabana
À beira de um ribeiro
Debaixo de um eucalipto.
Como eu gostava dele,
Da sua voz calma,
Do seu olhar sereno,
Do seu sorriso claro!
Passaram muitos anos...
O ribeiro já não existe: foi atolado.
O eucalipto já não existe: foi abatido.
Só o velho de barbas brancas
Permanece vivo
Dentro do meu coração!
( Os caminhos do silêncio...)

28 comentários:

gotadevidro disse...

Um texto que faz pensar.....Como tudo neste mundo sofre transformação.
Tantas coisas que desaparecem , mas tantas que ficam gravadas na memória para sempre.

Um jito

gaivota disse...

lindoooooooooooo
tanto o poema como o quadro, essa cabana à beira rio...
beijinhos

Eduardo Aleixo disse...

Gotinha

Este velho, a sua serenidade, foi o que ficou. E as águas... Ficou, cá dentro, claro.

Eduardo Aleixo disse...

Gaivota

A cabana é simples, mas rica de tudo o que o vento sabe...

pico minha ilha disse...

Quantos mais permacem assim nas águas que jorram de dentro de nós.Que a calma e a serenidade continue por aí.Abraço amigo

f@ disse...

Olá Eduardo,

As barbas salpicadas de sal em pó… á beira do ribeiro extinto de água extinta… doce lembrança…

Imenso beijinho

Eduardo Aleixo disse...

Salomé
A minha criança já falou com a tua, no teu blogue. Sabiamente, claro, como elas sabem.

Eduardo Aleixo disse...

Fa
De salpicos tantos doridos nos caminhos da vida salvou-se o sal em pó do velho sábio e a dolente canção das águas que lembram as outras que ficaram atoladas...E isto é melancolicamente doce...

mariabesuga disse...

Desaparece tudo menos os sentidos ou o sentido que lhe damos...

Abraço, Eduardo

Eduardo Aleixo disse...

Mariabesuga

Já rabisquei qualquer coisa - não me lembro bem, tão embalado estava - no seu blogue. Boa noite.

utopia das palavras disse...

Na natureza tudo se cumpre
e incumpre a mão do Homem
na ânsia do progresso
desbotado retrocesso
e em nós, silenciosamente fica
um coração cheio...!

à beirinha da água te abraço, poeta!

Eduardo Aleixo disse...

Mourisca
E as águas, com ciumes ficaram do abraço....

pin gente disse...

pelos vistos o teu coração é grande... bem me pareceu!
goste muito!
um abraço
luísa

Eduardo Aleixo disse...

Luisa

Um abraço e mais outro ( já fui ao teu blogue ). EA

isabel mendes ferreira disse...

e nestes caminhos de silêncio inscrevo-me tb.se posso...
não é tristeza....é melancolia...pulmomar :) (ando adoentada)....de resto a vida é um "velho de barbas brancas" no jardim da esperança.


gosto do texto e sub.texto.


abraço. Eduardo.

Eduardo Aleixo disse...

Isabel

" Os caminhos o silêncio " é designação da natureza temática a que este poema pertence. É também capítulo do meu próximo livro. Porque sentes afinidade com estes caminhos - eu sei - nem precisas e te inscrever.
Quanto à melancolia..eu senti-a, sim. A despeito da belezao do post, para mim, sempre sublime, senti. Até a música o é. Mas tudo será ultrapassado. Em que posso ajudar?
Abraço.

Maria P. disse...

:)Gostei...

Beijinhos*

Eduardo Aleixo disse...

Maria P

Gostei que tivesses gostado. Acho que o velho também gostou de te ver. Beijinhos

Anônimo disse...

O que me fazes lembrar Eduardo! Lindo texto!
Bjs.
Laide

Eduardo Aleixo disse...

Laide

E tu fazes-me lembrar que...a amizade dura ...muitos anos! Só que tenho a viola onde tocava aquelas canções de Abril, cheia de pó, e sem uma corda, não sei se é a ré, se é a mi...nem quero saber! As ideologias matam as amizades, a não ser que as pessoas sejam livres...espiritualmente...Bom, c'est tout!

Paula Raposo disse...

Dentro do coração tudo é possível. Até a imortalidade. Beijos.

Eduardo Aleixo disse...

Paula

O meu coração ficou com o que o velho, que conheci na infância, simboliza para mim: amor pela Natureza, sabedoria , simpliciade e serenidade. É assim que quero envelhecer. Obrigado pela visita.

Clotilde S. disse...

Eduardo,
Bela metáfora.

Tudo se abate nesta vida, tudo seca, mas o essencial permanece vivo na memória dos afectos,

Um abraço de muita LUZ!

Clo

Sonia Schmorantz disse...

Muito bonito!
ótimo final de semana
abraço

Anônimo disse...

'Há sempre alguém que diz não'.Há sempre um velho de barba branca que não se deixa atolar, que não se deixa abater.
Que vivam os velhos de barba branca!
PM

Eduardo Aleixo disse...

Clotile:
Abraço de luz

Sónia
O velho de barbas brancas disse-me em pensamento que a conhece!!

Pedro
O que o velho aqui metaforiza é a fonte do eterno...

Lúcia disse...

Tanto o poema de cima como este são muito lindos, sentidos. Este apela à lembrança de todos os velhos de barba branca que temos.
Sim, todos temos. mas poucos os cantam. Como tu...
beijinhos, amigo.

Eduardo Aleixo disse...

Lúcia
Beijinho.
Até...