quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Poemas de BAI JUYI

1. Colhendo flores de lótus
As folhas de castanhas de água agitadas pelo vento,
uma barca vogando entre cálices de lótus.
Meus olhos encontram a beldade entre as flores,
tímida, baixa a cabeça, o pente de jade cai nas águas.
2. Bela e frágil.
Falo de uma menina,
os olhos como folhinhas de salgueiro,
as maçãs do rosto cor de rosa,
na cabeça as tranças como flores perfumando a brisa.
Há dois anos mirou-se ao espelho pela primeira vez,
há um ano começou a aprender a bordar.
Aos treze anos menina e mulher
ao sabor da sorte e da fortuna.
Mas a geada cai sobre ameixas e pêssegos,
tocou-a, ela murchou para sempre.
Os pais choram a filha morta.
Não nascera para noiva de mortais,
era um anjo tombado dos céus,
condenado a alguns anos de vida na terra.
As coisas mais belas, sempre as mais frágeis,
quebram como vidro, desaparecem como nuvens.
3. Pensamento.
Quando rebenta a corda do alaúde
há sempre forma de a consertar.
Quando se despedaça um coração
não há modo de o reparar.
( Do livro Poemas de BAI JUYI )

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Casa com orelhas grandes

Como gosto da minha casa
pequena,
com orelhas grandes,
para escutar
a sinfonia
do mar!...
Eduardo Aleixo
(Brejenjas - 2/8/2008 )

Simplesmente... são!

Aqui ao lado
mas longe
da nossa inquietação
as flores
simplesmente...
são!
Eduardo Aleixo
( Brejenjas, 2/8/2008)

terça-feira, 5 de agosto de 2008

A violência sobre os idosos

« Durante os primeiros seis meses do ano registou-se uma média de dois idosos por semana, vítimas de violência, de acordo com dados oficiais do Ministério Público, divulgados pela Procuradoria Geral Distrital de Lisboa. Ao longo do primeiro semestre, foram abertos 51 inquéritos relativos à violência contra idosos, um número muito próximo dos 57 casos de violência registados no meio escolar. Dois fenómenos considerados de investigação prioritária pela Lei de Política Criminal e para os quais o procurador geral da República, Pinto Monteiro, chamou a atenção em Janeiro. Dos 51 casos de violência contra idosos registados, 22 aconteceram no primeiro trimestre e os outros 29 no segundo.
Entre as 12 comarcas do distrito judicial de Lisboa, Almada é a que apresenta o maior número de queixas: 11. Torres Vedras, com 9 , e Lisboa com 7, fecham o grupo dos três concelhos com maior número de casos. Do lado oposto, sem casos de violência contra idosos, estão Cascais, Angra do Heroísmo e Oeiras.......
O cônjuge ou companheiro é o agressor mais frequente dos idosos, segundo os dados de 2007 da Associação de Apoio à Vítima ( APAV), somando um total de 29,1%. No entanto, um grande número, 26,4%, é vítima dos próprios filhos.No ano passado, a APAV registou 656 casos de violência contra idosos.
A residência partilhada com o agressor é o espaço em que mais ocorrem agressões ( 59,7% ), logo seguida da casa da vítima ( 25,6% ). No total, apenas 12 casos , ou seja, 2,3%, tiveram lugar em lares ou instituições de acolhimento. Números que não surpreendem o vice-presidente da APAV, João Lázaro. « A família é um espaço de amor, mas também de grande violência», alerta.
O dirigente da associação frisa que « a violência sobre os idosos é muito escondida e calada».Embora não existam ainda dados de 2008, João Lázaro acredita que a tendência é para um aumento sustentado. A violência financeira é outra face dos atentados contra este grupo etário. Paula Guimarães, da APAV, explica ao DN que « em Portugal existe a ideia de que o património do idoso é da família e partir de uma certa idade esta faz tudo para administrar os seus bens, atropelando a lei."
( Reprodução de artigo publicado hoje, no Diário de Notícias, com o título " Dois idosos vítimas de violência por semana , da autoria de Ana Bela Ferreira, em virtude de o "À beira de Água" o achar de grande interesse ).
Eduardo Aleixo

Funeral Santomense

Hoje assisti pela primeira vez aos rituais de um funeral santomense. A mãe de dois colegas meus de trabalho faleceu, e toda a equipa foi solidária em acompanhá-los. Apenas comento isto no blog porque me parece interessante a forma como cada cultura expressa estes ritos profundos da vida. Aqui, quando alguém morre, toda a família e amigos se junta na casa da pessoa falecida, para daí partir em camiões do exército, carrinhas, motas, carros, o que houver, em direcção ao cemitério, passando pelos sitios importantes para o falecido, como o trabalho ou a casa de familiares. Junta-se assim uma grande fila em excursão, que vai lentamente pela estrada a 10km/h, com uma carrinha com uma banda a tocar, mais outra carrinha com colunas de música Kizomba, ou se for rico, mesmo um cantor ao vivo. Neste caso particular, foi dispensada a parte musical, mas o resto aconteceu mesmo, e percorremos cerca de 1h de caminho até ao cemitério. Depois do enterro, regressa-se novamente para casa da pessoa falecida e aí se fica a comer e ouvir musica. Esta parte, a que aqui se chama a fase do "nojo" (luto nosso talvez) dura uma semana, com a casa sempre inundada de pessoas e familiares. Com este ritual grande parte das familias se endividam para suportar estes custos que estão fora do alcance da maioria das pessoas. Não deixa de ser, como é óbvio, um momento triste e tenso, mesmo sendo diferente do nosso, daí querer partilhá-lo convosco... Beijos, Rita

Tremoços

Às vezes come-se
não tremoços
mas o tempo
que nos come...
Eduardo Aleixo

Depois de te amar...

Depois de te amar
contente
descanso o rosto
no teu colo
quente.
Eduardo Aleixo
( Brejenjas, 2/8/2008 )

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Sempre o mar sempre ...

Fui ver o mar
Onde me sentei
No lugar cativo
Que herdei
Muito antes de ter nascido
E ali fiquei
Como sempre
Embevecido!
Eduardo Aleixo
( Santa Cruz, 1/8/2008 )

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Bom fim de semana

Alegria interior
Esta manhã, uma taça de vinho.
Pensas que encheu meu coração de alegria?
Há outra alegria brotando de uma fonte interior.
Essa o mundo nunca entende.
Na janela, olhando os bambús
Porquê cortar e fazer uma flauta?
Porquê aparar para uma cana de pesca?
Murcharão ervas e flores.
Eles, bonitos, baloiçando sob flocos de neve.
A vida dos animais
Quem diz que a vida dos animais não tem valor?
Sua carne, sua pele, seus ossos semelhantes aos nossos.
Não matem os pássaros nos ramos das árvores.
No ninho, os filhotes aguadam o regresso dos pais.
( Bai Juyi - in Poemas de Bai Juyi )

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Pensamento

Eu admiro a mulher que um dia me disse no café: "Não me arrependo de nada do que fiz e faço até hoje. Amo, quando sinto em mim o amor brotar, e eu não quero deixar de espalhar esse amor pelos que me rodeiam... Choro, quando sinto o meu coração apertado e triste e eu não posso deixar que os meus olhos contenham as lágrimas que o exprimem... Os outros? O que eles pensam não interessa! Impaciento-me quando as coisas que me rodeiam não correm como desejo, e tenho medo, mas esse também o mostro com coragem. E rio, e olho para o mundo como uma criança, quando é a parte de mim mais autêntica que fala, e eu não quero apagar essa pureza, por muito que caia mal aos "olhos" de quem me vê... E o tempo passa, apesar de todos o quererem conter, E eu não me quero nunca arrepender da vida que não tive e do que ficou para trás por Ser..." Beijos Rita

A Banca, grande diminuição de lucros!

Vem hoje nos jornais: os lucros dos 4 maiores bancos, neste semestre, atingiram um valor conjunto de 647,9 milhões de euros, menos 43% do que os 1139,2 milhões do mesmo período do ano passado.
Estes números mostram bem os valores enormes dos lucros atingidos pela Banca em comparação com a escassez financeira da esmagadora maioria das famílias portuguesas.
Houve uma diminuição de lucros, que passaram, no entanto, para um valor ainda astronómico: 647,9 milhões de euros, astronómico para um país de gente pobre como é o nosso.
O BES lucrou menos 28%, nos 264,1 milhões de lucros que teve. Quer dizer que o BES deixou de ganhar aquela importância, que fica, pelos vistos, a fazer-lhe falta, muita falta, habituado como está a ganhar muito mais!

O mesmo se diga dos restantes bancos.

Ricardo Salgado apareceu no telejornal da noite de ontem, com um ar naturalmente preocupadíssimo. Mas já trazia a receita na ponta da língua: necessidade de redução de pessoal ( parece que através de reformas antecipadas ) como forma de compensação daquela perda de lucros!.

Sim, porque não se trata de prejuízos, mas de diminuição de lucros!
Está-se mesmo a ver: mais um pretexto para a redução de pessoal e quanto muito para a admissão de gente jovem, mas com contratos precários e recibos verdes.

É o que está a dar. O que seria se em vez de diminuição de ganhos fossem mesmo prejuízos? Eduardo Aleixo

Poeta convidado da semana : Paul Éluard

Casa do poeta
Ela surge...
Ela surge - mas só à meia-noite, quando todos os pássaros brancos fecham as suas asas sobre a ignorância das trevas , quando a irmã das miríades de pérolas oculta as mãos na sua cabeleira morta, quando o triunfador se compraz na volúpia dos soluços, cansado das suas devoções à curiosidade, máscula e esplêndida armadura de luxúria. Ela é tão meiga que o meu coração se transforma. Eu temia as grandes sombras que tecem os tapetes do jogo e os vestidos, tinha medo das contorções do sol ao cair da noite, dos inquebráveis ramos que purificam as janelas de todos os confessionários onde as mulheres adormecidas nos esperam.
Ó busto de memória, erro de formas, linhas ausentes, chamas extintas dos meus olhos cerrados, estou perante a tua graça como uma criança na água, como um ramalhete de flores num grande bosque. Nocturno, o universo move-se no teu calor e as cidades de ontem têm gestos de rua mais delicados do que a flor do espinheiro, mais impressionantes do que a hora. A terra ao longe multiplica-se em sorrisos imóveis, o céu envolve a vida: um novo astro do amor desponta em todos os horizontes, e eis que os últimos sinais da noite se desvanecem.
( Capital de la Douleur, 1926 )
- Algumas das palavras - de Paul Éluard

quarta-feira, 30 de julho de 2008

O remorso mal emendado

Da autoria de Baptista - Bastos, escritor que admiro muito, com o título em epígrafe, transcrevo, para o blogue, o seguinte artigo, publicado no Diário de Notícias de hoje, por me parecer importante. O escritor em apreço não se importará que proceda à divulgação das suas palavras:

" Ouvi, atentamente, as declarações de João Cravinho sobre a corrupção infrene em Portugal, complementadas pelas gravíssimas acusações à legislação, que ele entende pejada de " factos anómalos". Tenho consideração pelo ex-deputado do PS, que nunca fora homem de tagarelices. A sua história está associada à da minha geração, levemente ingénua e um pouco tonta, iluminada pela contemplação de uma finalidade, que entendia o fascismo como monstruosa simulação e o futuro como a correcção de todos os males.Extraíamos, da nossa consciência, a fidelidade a um projecto político que recuperasse as verdades entrevistas nas nossas leituras comuns. Éramos novos e não nos desconcertávamos com os revezes que a História, deusa cega, nos infligia. Entre os poucos livros honestos, até hoje publicados, sobre essa geração, avulta um: Os Anos Decisivos - Portugal 1962-1985: Um testemunho, de César Oliveira, Editorial Presença, 1993. Nele se poderá aferir das traições aos testamentos legados, dos poucos que permaneceram no cumprimento de uma certa condição e dos muitos que desistiram e rodam em outros carris.
A lista dos nomes que personificavam um sonho de reabilitação colectiva e se opunham à violência da " ordem" salazarista é o dramático retrato de muitos que foram e deixaram de o ser. Recordei esta fraternidade altiva depois das declarações de Cravinho , personagem do livro de César Oliveira. E reconheço que pecam por tardias e inexistem como significado, porque o carácter do documento era já conhecido. Ele aceitou as regras do jogo , cedeu à pressão e acedeu a um cargo ( indicado pelo PS ) na direcção do Banco Europeu para a Reconstrução e Desenvolvimento ( ??? ), mora em Londres e libertou-se do ofício de ser português em Portugal. Foi o que foi: hoje, é o que é. Este fardo não é meu. Cravinho pode aludir à ausência de independência dos outros, quando a sua não será tão virtuosa quanto seria desejável? É claro que nunca proclamou ser um homem justo; todavia, sempre o aparentou: eis porque a ida para Londres configura o abandono sem perdão de um combate e uma forma fácil de governar a vida. Vou a Camus: " Pode, realmente, pregar a justiça aquele que não consegue sequer fazê-la reinar na sua vida? "
Fica, desta história, a sensação de um remorso mal emendado. Há uma patética procura do equilíbrio perdido e uma fuga ao real, ilustradas por alguém que precisa de se justificar. Escrevo estas palavras isento de qualquer exaltação inútil. Mas a natureza dos factos recentes leva-me a considerar que os sonhos de Abril têm resultado na demonstração revoltante da cupidez de muitos daqueles que, afinal, estavam a investir no futuro pessoal.
Quanto à resposta de Alberto Martins, não passa de uma desgraça sentada em cómoda poltrona. "
Baptista-Bastos

Acordaste.

Bastou uma palavra.
Nem isso:
Um simples gesto de amor!
Acordaste,
Abriste a janela,
Sorriste:
A vida tem outra côr!
Eduardo Aleixo

terça-feira, 29 de julho de 2008

Dois poetas para lembrar sempre

Pedro Correia publicou no Diário de Notícias, do dia 26 de Julho, este artigo, em memória de Jorge de Sena e de Ruy Belo e não se importa, certamente, que eu o transcreva no " À Beira de Água".
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Dois poetas. Dois espíritos superiores que andam escandalosamente esquecidos.Morreram faz agora 30 anos: Jorge de Sena ( 1919-78 ) e Ruy Belo ( 1933-78). Inconformistas, ambos exilados - um no exterior, outro no interior. Sem grupos ou capelinhas, habituados a arremeter contra ventos e marés. E acima de tudo dois excelentes poetas - do melhor que tivemos, não apenas no século XX, mas em toda a história da literatura portuguesa.
Partiram ambos demasiado cedo, ainda com muitos livros por escrever. Primeiro, Sena, um dos mais corajosos resistentes à ditadura salazarista, com a qual não transigiu em circunstância alguma - ele que era um adversário acérrimo de toda a espécie de ditaduras. Exilado no Brasil, por decisão própria, Viria igualmente a abandonar este país quando a ditadura militar se instalou em Brasília, acabando por fixar-se em Santa Bárbara, Califórnia, onde ainda hoje residem a sua viúva, Mécia de Sena, e vários dos seus nove filhos.
Sena distinguiu-se como tradutor ( de Malraux a Hemingway, por exemplo ), crítico literário, antologiador, ficcionista e dramaturgo. Mas sobretudo como admirável poeta - uma das mais originais vozes portuguesas das últimas décadas.Dele é por exemplo este fabuloso Camões dirige-se aos seus contemporâneos :

" Podereis roubar-me tudo:/ as ideias, as palavras, as imagens,/e também as metáforas, os temas, os motivos/os símbolos, e a primazia/nas dores sofridas de uma língua nova/no entendimento de outros, na coragem/de combater, julgar,de penetrar/em recessos de amor para que sois castrados./E podereis depois não me citar,/suprimir-me, ignorar-me,aclamar até/outros ladrões mais felizes./Não importa nada: que o castigo/ será terrível. Não só quando/vossos netos não souberem já quem sois/terão de me saber melhor ainda/do que fingis que não sabeis,/como tudo, tudo o que laboriosamente pilhais,/reverterá para o meu nome.E mesmo será meu,/tido por meu,contado como meu,/até mesmo aquele pouco e miserável/que, só por vós, sem roubo,haveríeis feito./Nada tereis, mas nada: nem os ossos,/que um vosso esqueleto há-de ser buscado,/para passar por meu.E para outros ladrões,/iguais a vós, de joelhos,porem flores no túmulo."

Ou a célebre Carta a meus filhos sobre os fuzilamentos de Goya:

" Nenhum Juízo Final, meus filhos, pode dar-lhes/aquele instante que não viveram,aquele objecto/que não fruíram, aquele gesto/de amor, que fariam "amanhã"./E,por isso,o mesmo mundo que criemos/nos cumpre tê-lo com cuidado,como coisa/que não é nossa,que nos é cedida,/para a guardarmos respeitosamente/em memória do sangue que nos corre nas veias,/da nossa carne que foi outra,do amor que/outros não amaram porque lho roubaram."

Ruy Belo foi igualmente um dos mais singulares nomes da poesia portuguesa. Ribatejano, de Rio Maior, celebrou em verso o campo e a cidade, o seu tempo e todos os tempos, o passado e o futuro, o corpo e a alma, o rincão natal e o universo sem fronteiras. Profundamente cristão, tal como Sena, mas descrente das várias igrejas, sem jamais deixar e confiar no Homem.É também o poeta da luz solar- em permanente rebelião contra o tempo crepuscular em que viveu.E foi afinal num Verão bem quente que o seu coração desistiu de bater, quando ainda havia tanto a esperar do seu talento.

Ruy Belo tem inúmeros poemas de uma qualidade ímpar- quase todos os de Homem de Palavra(s), por exemplo. Mas o de que mais gosto é do longo poema A Margem da Alegria, dedicado aos amores de Pedro e Inês - o mais belo e trágico romance de todos os tempos em Portugal:

" O mistério dos mares tenebrosos tem ali silêncios rasos/navegantes de pé entre o dossel do céu e a cama da maré/jazem serenos hoje nessa lousa onde o tempo apenas pousa/e só com a minha lâmina de aço língua de toledo os ameaço/no túmulo deitada Inês parece a própria placidez/ela que em vida ouvindo alguém chamar/julgava respirar esse cheiro envolvente português/dos laranjais e jamais a nave donde nunca mais/havia de sair não já para criança inaugurar/o dia a dia o vasto espaço onde cada folha/dos plátanos e até canas e oliveiras/valem humildemente mais do que a melhor palavra minha."

Dois grandes autores desaparecidos há três décadas.Façamos tudo para que a obra de ambos não sucumba à pior das mortes literárias: a do esquecimento premeditado. Fartos de figuras menores andamos todos nós."

Pedro Correia

( In Diário de Notícias, 26/7/2008 )

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O " À Beira de Água " concorda com Pedro Correia e com este "post" o que pretende é lembrar estes dois grandes poetas. Que eles nunca sejam esquecidos na voragem do tempo...

Eduardo Aleixo