segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Poema de Ausenda Hilário

( Foto: praia na ilha de S. Tomé )
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Corpo de mar(é)
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Deixem-me amar o mar
Comer as algas, expurgar a lama
Deixem que o mar me ame
E me aclame sobrevivente
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Deixem que a pele se queime
Na lonjura do sol e da saudade
Renascendo asa de coral
E o meu abrigo
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Deixem que a boca cuspa
Lodos de preconceito
E que o meu leito
Seja terra espargida de causa
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Deixem que as mãos naufraguem
No rosto de luz das marés
Abram de espuma as estrelas
E deixem chorar o mar
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Deixem que nada ou as ondas
Se alastrem no meu peito
E que o meu corpo...
Seja sempre esse mar salgado!
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Ausenda Hilário, in, " Entre o Sono e o Sonho " - antologia de poesia contemporânea - Volume II - Chiado Editora
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Utopia das Palavras - http://poemas76.blogs.sapo.pt
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