quarta-feira, 29 de julho de 2009

E com sede, nem falam!...

Cada micropartícula da palavra expressa
Seja gotícula do sangue do ser que a expressa
Sem ela não viva
Como barco sem vela
Como ar
Se nos faltasse
Fala, canta, dança, pinta, cala,
Mas como se morresses
Em cada fala
Em cada canto
Em cada dança
Em cada quadro,
Em cada gota de silêncio!...
O resto...está a mais,
Nem máscara é!
Tão longe do ar
Da água
Do perfume
Do incenso!
Ouve:
Até do suor está longe,
E do sexo,
E do amplexo da pele,
Que até os anjos podem invejar!
Falo da semente da fala
Da fonte
Onde todos se ajoelham
E com sede
Nem falam!
( Lx, Julho de 2009 )
- Os Caminhos do Silêncio -
( Foto do autor )

16 comentários:

Paula Raposo disse...

A palavra é sempre forte! Não a devemos calar. Gostei de te ler...beijos.

Eduardo Aleixo disse...

Paula

Para ser forte, é preciso beber nas águas puras. Beijos

Clotilde S. disse...

"Virum mihi,Camena,insece versutum " Livius Andronicus

Fala-me, Ó Musa, do homem talentoso!

Todos ficaríamos perplexos se conseguíssemos escutar essas palavras que como gotas, escorrem do silêncio.

Estou segura que estás no Caminho.

Que a tua sementeira vingue sempre e a tua colheita seja generosa!

Obrigada, Eduardo,por mais este momento da tua verdadeira e sentida Poesia que, magistral e quotidianamente, sacia a nossa sede de Palavras.

Um abraço de Luz, irmão guerreiro!

Clo

Eduardo Aleixo disse...

Clo
Há momentos em que me sinto inseguro!
Por um lado, a alma, que escreveu o poema, não tem dúvidas.
Mas por outro lado, no outro lado,uma parte de mim, fica inquieta!
Que inquietação neste caminho!
Por isso, só me sinto tranquilo, junto do mar, sem pensar, pescando, sem pescar!
Ah ah ah, deixa-me rir, para desanuviar!
Obrigado pelo teu apoio espiritual.
Beijo meu.

Lucília Ramos disse...

Gostei demais do teu poema.

Eu com sede nem falo... a boca seca demais!

(Costumo ter muita sede... mas já fui saciar-me em águas puras)

Deixo-te um grande abraço,
Lucy

gaivota disse...

que linda foto! e o poema excelente!
muita água, sempre, pura!
beijinhos

utopia das palavras disse...

Falas das gotas
de azul e sal
da perenidade
e beleza
do nascer
todos os dias
em nós...!

Tanta sede...a das palavras! Um momento muito especial ler as tuas!

Beijo, poeta das águas

Eduardo Aleixo disse...

Lucy
Gosto das águas puras, por isso gosto de ti.

Eduardo Aleixo disse...

Gaivota

...da água pura...

Eduardo Aleixo disse...

Moura ( inha )

O poeta das águas, como me chamas, e eu gosto, beija as águas sempre puras da tua poesia...

© Piedade Araújo Sol disse...

achei o poema muito bom, e tambei gostei da foto.

um beij

Eduardo Aleixo disse...

Piedade

SÊ bem vinda. Gosto tb de ir ao teu blogue. Vou, sim, não tarda muito...

Lúcia disse...

Eduardo - puseste as palavras a dançar!
Este poema dança. tem vida! Gostei!

Eduardo Aleixo disse...

Lúcia

As palavras a dançar! Gostei!

pin gente disse...

transparentes palavras que da boca transbordam!

abraço

Eduardo Aleixo disse...

Luisa


A transparência...é uma paixão.
Por isso amo as águas.
Transparentes.