sexta-feira, 25 de julho de 2008
Cantiga - e BOM FIM DE SEMANA
Onde estão as minhas vestes?
Poeta convidado: José Gomes Ferreira
quinta-feira, 24 de julho de 2008
Palavras belas: que sejam úteis!
quarta-feira, 23 de julho de 2008
Lavaste as mágoas
terça-feira, 22 de julho de 2008
Longe de ser eu.
segunda-feira, 21 de julho de 2008
O PICO ( escrito de S. Tomé, pela Rita )
Poeta convidado: Miguel Torga

quinta-feira, 17 de julho de 2008
Alentejo - memórias ao sabor das teclas...( em memória do Serrão Martins e dedicado ao Pedro Martins, ao Casimiro , ao Belard e ao Arlindo )
Atravesso a planície entre Ferreira do Alentejo e Beja e canto:
Resolvi ir até Lisboa
Resolvi ir até lá
Em busca duma vida boa
Que eu procuro
E não encontro cá.
Abalei
Embarquei
No comboio
Que assobiava pela linha
Às vezes
Penso comigo
E digo
Não sei que sorte
É a minha.
E depois que cheguei ao Barreiro
No barco que atravessa o Tejo
Chora por mim
Que eu choro por ti
Já deixei o Alentejo
Chora por mim
Que eu choro por ti
Já deixei o Alentejo...
Poema que se fosse ordenado consoante o modo de cantar teria ordenação completamente diferente das letras e das palavras. Cantiga, de qualquer modo, difícil de cantar, esta... Há outras ainda mais complicadas, que têm muitos volteios, arabescos, arrebitos e tempos de folga respiratória, só conhecidos por quem lá nasceu e muito viu e muito ouviu e muito cantou. As tabernas eram coliseus de cântico polifónico. Sem maestro. O canto alentejano não precisa dele. Depois de um dia de ceifa os corpos estavam cansados, mas para o canto não. Era através do canto que os camponeses falavam, iam pensando, iam ruminando as alternativas difíceis que se punham ao modelo atávico dos sons. Desabafavam. De tão lentamente que cantavam parecia que rezavam, até podia ser, e era também, mas era mais um desabafo, uma libertação possível dentro da impossilidade da porra da vida. As vozes que havia e que já morreram!...Que vozes magníficas havia!...Começava o Joaquim Caixinha, no silêncio das mágoas. À luz do petróleo, ou depois do petromax. No silêncio de quantos séculos de escravidão? Voz enrolada. Os homens figuras sombras encostadas ao balcão sombrio da tasca. Sempre foi assim desde os tempos mais antigos: quando a quadra introdutória ficar completa...levanta-se do chão da garganta da terra da dor de que memórias de sangue levanta-se a voz vibrante do Manel Matias, que é um introito para o coro que aí vem, e que enche a noite, com o "alto" a sobressair, mas com harmonia, como se estivesse por detrás do canto, mãos de seara e espiga nas mãos do povo, a maestrar, e todas as vozes sabendo como se tivessem estudado, todos os tons casando, enchendo a noite, pondo em sentido o seu silêncio, não há mais nada para os homens senão o canto, o calor do canto, não vale a pena ir chamá-los à taberna, as mulheres sabem, sabem que eles cantam e enquanto cantarem vão serenando e suavizando a dor que todos sentem...Assim se cantavam as cantigas. Vozes que já não há. Há apenas os que como eu ainda sabem. E se lembram...
Poeta convidado: Manuel Bandeira
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