segunda-feira, 4 de maio de 2009

A Crónica (de São Tomé)

Caros leitores, deixo-vos breves passagens das minhas últimas duas semanas, difíceis e extraordinárias…
Fiquei sem "visto" e como a lei mudou, já não podiam prolongar "vistos" a não ser que, à partida, já sejam "de trabalho", o que não era o meu caso. Assim sendo, estive à beira de ser expulsa do país, o que não era de facto problemático se não tivesse que permanecer em Portugal por 2 meses para voltar ter o famoso visto. Começou então uma corrida contra o tempo que não tinha fim à vista pois o "leve leve" nacional... impera. A única forma que tinha para ficar era ser feito um pedido através do Ministério de S.Tomé, nosso parceiro, para que, por razões excepcionais, pudesse receber o visto no país. Andei dias e dias atrás das pessoas do Ministério, juntei papéis, fiz esperas à porta do Ministério, enfim, o possível e imaginário para avançar com o processo. Só o consegui na última semana, com o visto a terminar dia 1 de Maio e com duas reservas de viagem para Portugal…e com outros apoios e pressões de fora, com o meu processo a andar de Ministério para Ministério e ninguém saber onde andava. Mesmo assim, vários entraves foram postos nos serviços de Migração e Fronteiras, por desconhecimento e sei lá, como o de verem o meu contrato de trabalho (isto na véspera de ficar sem visto) e acharem que tinha que ir ao Ministério do Trabalho, ao que expliquei que o meu contrato é português e não tem nada a ver com os serviços nacionais…Depois olharam para o registo criminal e acharam que por não vir “colorido” era uma cópia…enfim! Um desespero! Por necessitar do apoio do Ministério, nosso parceiro, andei em reuniões para a revisão de um Plano Estratégico do País, que dariam para vários sketch do Gato Fedorento e fizeram-me recordar alguns trabalhos de Faculdade. Eu, num Grupo de Trabalho, com o Plano Estratégico de outro país à frente, a ler em voz alta aos membros do grupo e a repensar numa forma de colocar exactamente a mesma coisa, mas de forma diferente. Ao que me respondiam: “Isso mesmo, Drª!! Diga outra vez! E onde vamos buscar dados para isso? Não temos....”. "E esse relatório que o Dr X está a ler?". “Não podemos usar porque não tem capa…não sabemos do que é…”.
E uma tarde se passava só na descrição geográfica, sócio-económica, eu sei lá! Só sei que cada dia foi um obstáculo e uma dificuldade. Viva o 1 de Maio, para descansar! Beijos a todos, Rita
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