sábado, 20 de dezembro de 2008

Céus transbordantes de estrelas...

Céus transbordantes de estrelas esbanjadas
flamejam sobre a tua aflição. Em vez das almofadas,
chora lá para o alto. Aqui, junto ao teu rosto
choroso e agónico, expansivo começa
já o impetuoso espaço cósmico. Quem interrompe,
quando pra lá te impeles,
essa torrente? Ninguém. A não ser
que tu de repente lutes contra o sentido enorme
desses astros ao teu encontro. Respira!
Respira a escuridão da Terra e de novo
ergue os olhos! De novo. Leve e sem rosto
encosta-se a ti lá de cima a fundura. A face
dissolvida e contida na noite dá espaço à tua.
( Rainer Maria Rilke - Paris, Abril de 1913 -
- Dos Poemas à Noite ( Gedichte an die Nacht ) -
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