domingo, 8 de fevereiro de 2009

Lai-si

Sou a Lai-si.
Lai-si é nome chinês, cantonense. Significa: presente, oferta.
A minha dona pôs-me esse nome porque me encontrou no dia dos seus anos, muito suja e com o corpo cheio de piolhos e de pulgas.
E disse: é a oferta que a Mãe Natureza me está a dar. Chamar-se-à Lai-si.
Logo bébé fugi dos meus irmãos e da minha mãe.
Sabia que o meu destino era junto dos seres humanos.
E desta família.
Sou gata selvagem.
Sou gata maluca ( é o que ouço dizerem de mim).
Só porque me atirei do quinto andar para baixo!
Que havia eu de fazer se sou caçadora, e se vi passar ladino no ar um lindo pardal?
Parti a bacia. Fui operada. Só dou despesas.
Também comi um canário. Só um! Eram dois!
Quando a minha dona chegou a casa só viu penas espalhadas pelo chão!
Foi um grande desgosto, eu compreendo. Para ela.
Sou atleta: faço, correndo como uma seta, da sala, passando pelo hall e chegando à cozinha, o tempo de 3,5 segundos.
Salto por cima do cão.
Como da comida do cão.
Ele, que rosna, e tem a doença do desvio comportamental, adora-me e
deixa-me fazer tudo.
Já tenho partido jarras e muitos bibelôs. Também já parti uma coisa a que eles chamam - ou melhor, chamavam - de "antiguidade" e que lhes custou os olhos da cara!
Mas sei que não tenho só defeitos.
Sei que eles gostam do meu quente ronronar enrolado nos seus colos.
Ouço os meus donos dizerem, com estranha vaidade, quando há visitas:
- É uma gata selvagem, já se atirou do 5ºandar, partiu a bacia,
mas é uma caçadora extraordinária. Além disso é muito meiga e tem
uns lindos olhos.
Eu finjo que não ouço.
Apetece-me dizer-lhes que tenho outras qualidades que ignoram porque não são da sua cultura.
Não sabem, por exemplo, que tenho, como eles, uma alma.
Que vim ao mundo para os ajudar.
Que nos seus colos... absorvo todas as energias negativas que trazem para casa.
E outras coisas...
Que não digo, para não me chamarem vaidosa.
Um beijo para todos.
Lai-si
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