sexta-feira, 24 de abril de 2009

Zeca Afonso...

A tua voz permenece vencedora sobre o tempo, ouvida com agrado pelas novas gerações. Tu sabes bem o que isso significa: qualidade. Sabes também o que sinto neste momento. Viste que fui ao You Tube buscar canções tuas para "postar" ao 25 de Abril. Sabes que desisti. Eu disse-te o meu pensamento: não faltarão blogues com a tua voz. Toda a gente pensa em ti, ou em outros. Mas, desculpa, não te quero transformar num ritual, numa moda. Tu nunca gostaste. Não, não vou pôr música. Esta noite, não. Tu sorris, como sorrias antes, aquele sorriso tímido- insinuante. Prefiro dizer-te que foram muitas noites em que te ouvi, quando isso era proibido. Ouvir-te a ti, ou ao Adriano, e sempre de atalaia, não aparecesse alguém intruso. Nas crises académicas, em Lisboa, quando dormimos na própria universidade, cercada pela polícia, para além dos debates, era a tua voz que ouvíamos, a do Fausto, e a de outros. Uma noite, no Instituto Superior Técnico, quando saimos, levámos muita porrada dos gorilas. Tu sabes como eram aqueles tempos. A música era uma arma. Eu próprio cantei as tuas canções nas associações operárias. As tuas e as do Patxi . Éramos muitos. Éramos muitos a sonhar. Nunca mais te esqueci. Fui ao teu último espectáculo no Coliseu, em Lisboa, estavas tu já muito doente. Depois as coisas precipitaram-se. Tu partiste. Não viste outras coisas. Que não interessam que sejam ditas. O importante é que saibas que te conheci, que nunca te traí, que te amo e que te lembro para sempre...
Eduardo Aleixo
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