domingo, 22 de março de 2009

Amo as árvores

Amo as árvores. Principalmente as que ajudei a crescer. É um sentimento análogo ao que acalentamos pelos filhos e por tudo o que criamos. É assim também com aquilo que construimos na vida, com muito esforço.
Amo as árvores. Somos amigos durante todo o ano. Mas o nosso encontro na primavera é um encontro especial. O inverno foi duro. Há que ver como elas resistiram. Quando chegou o inverno escrevi um poema em que mostrava as árvores de braços despidos erguidos para o céu. E dizia que as árvores pareciam mortas, mas que não estavam. Dormiam. Sonhavam. Esperavam por Março. Pela chegada dos noivos. Que trariam as flores do noivado. Para elas se engalanarem de beleza, oferecendo-lhes os seus corpos com alegria e amor.

Março chegou. E os noivos também. Para algumas árvores. As já floridas. As outras, ainda não têm o vestido pronto. Mas está quase. Os pássaros fazem corridas chilreando e esperam que as folhas cresçam um pouco mais para aí esconderem os seus ninhos. Os dias são maiores. A primavera ainda é uma menina. Mas não tarda que as flores abram por todo o lado, os frutos cresçam e dos ninhos saltem os pássaros novos a treinarem os primeiros voos, rasantes, até que, de músculos rijos, ultrapassem os muros altos, e livres se ponham a dançar no céu azul.
Amo as árvores. Durante todo o ano. Mas principalmente na primavera.
Eduardo Aleixo
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