domingo, 2 de novembro de 2008

Lembrança...

( Escrito aquando da morte do meu avô: abrange a lembrança dos outros familiares e amigos que posteriormente partiram )
Sem garras nem foices,
Sem rosto nem voz,
Escondida no frio da manhã,
O homem roubou,
viçoso de sonhos!
Só o corpo ficou,
Inútil,
Estranho.
Pelas paredes,
Pelas mesas,
Pelas cadeiras,
Pela cama,
Trepam raízes vacilantes de ausência,
E caem lágrimas de espanto
Da vida suspensa
Que ficou,
Implorando paciência!...
Só,
De negro vestida,
Fala a mulher com as coisas,
Relembra
E limpa
Os olhos macerados.
E aceitando a quase humilhação,
A injustiça natural
De escolher,
Como planta sacudida,
Um suporte...,
Tacteia...
Recomeça...
Eduardo Aleixo
Postar um comentário