quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Ventos

O poeta que apascenta os ventos dá a
cada um nome de mulher: ao
vento norte chama-lhe perpétua, a flor
que fica e se prolonga no ouvido;
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o vento sul é o malmequer, que
cada um tem de escolher, e é de
todos sem ser de nenhum quando
entra por um ouvido e sai pelo outro;
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o vento oeste é a rosa, que
brilha muito e dura pouco, e quando
morre ainda pica; e o vento leste
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é a violeta, que se deita com o
poeta e se levanta com o sueste,
pintando o dia com cores de borboleta.
( Nuno Júdice, in " O breve Sentimento do Eterno "
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