quinta-feira, 20 de novembro de 2008

OUTONO

o.
Outono.
( A palavra é cansada...)
Tudo a cair de sono,
Como se a vida fosse assim, parada!
-
Nem o verde inquieto duma folha!
O próprio sol, sem força e sem altura,
Olha
Dum céu sem luz e levedura.
-
Fria,
A cor sem nome duma vinha morta
Vem carregada de melancolia
Bater-me à porta.
Canção da pura humildade
Fio de água,
Vou por tojos e urgueiras
A cantar esta mágoa,
Sabendo que há mais água e mais maneiras.
-
Vou sem nenhuma inveja.
Apenas peço ao ceu
Que, espelhando-se em mim, me veja,
Porque afinal sou eu.
( Miguel Torga, in DIÁRIO I )
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