segunda-feira, 2 de junho de 2008

Agradeço estar vivo

Quando abro a janela, a luz do dia invade-me o quarto, inunda-me o corpo e eu saúdo o dia: agradeço estar vivo e ter nascido. Tenho motivos para estar agradecido: as rosas vermelhas, as hortênsias cor de rosa, o piar dos pássaros, a frescura da manhã, o meu cão, Gwyn, que mal ouve o ruído da portada da janela, corre, ergue o seu corpo esbelto de Golden Retriever e vem lamber-me as mãos , feliz e contente. É uma casa de rés-do- chão. Não é muito grande, nem tal é necessário, pois a família é pequena. Mas tem flores e relva e árvores em volta. Neste momento, sentado no telheiro, construído na parte poente, por detrás da casa, escrevo e observo o meu cão deitado, com o focinho pousado no lajedo e mais à frente as minhas árvores , principalmente o limoeiro, que, sendo pequeno e atarracado, é uma máquina parideira de limões, durante todo o ano. Não se admirem que diga "as minhas árvores". É que a maioria foi plantada por nós e, quando assim é, damos, como todos sabem, mais valor às coisas. Ver crescer as árvores é como ver crescer um filho. Preocupamo-nos quando elas não crescem. Quando elas não dão flores. Quando elas, as flores, crescem, mas não dão frutos. Ou quando os frutos crescem e vêmo-los pequeninos, mas depois desaparecem da noite para o dia, por acção da geada ou da ventania. Hoje, sinceramente, penso que deviam ensinar nas escolas às crianças a arte de semear, de plantar, de podar e de tratar enfim da terra. E que as nossas casas deviam ter um terreno à volta, mesmo pequeno, como é o meu, para semearmos e plantarmos: o benefício seria não só material, mas também de um grande enriquecimento espiritual. As minhas árvores são tanto seres vivos como eu, ou vocês. E temos muito a aprender com as árvores. Com a Natureza. Com os animais. E tudo o resto. Eu, pelo menos, tenho aprendido. E devo dizer-vos que não tenho nenhuma razão de queixa. Eduardo Aleixo
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