domingo, 8 de junho de 2008

Mas toca, Vivaldi...

Quantas vezes nasci?
Quantas vezes morri?
Por que países nunca vistos
Semeei o meu silêncio,
O meu olhar de espanto?
Toca, Vivaldi,
Enquanto me lembro,
Sem esforço em me lembrar,
Quantas vezes comecei a minha vida,
Olhando para o mar...
É noite.
Lisboa submerge em nevoeiro...
Nas ruas, o inferno dos motores...
Já trabalhei,
Mas só agora me apetece trabalhar:
Criar um espaço de luz,
Uma baía de inocência,
Uma roseira de palavras intocáveis,
O sorriso da cidade a construir...
Tão longa ainda a caminhada!.
Tão distante ainda a paz!
Tão inevitável por vezes a guerra!
Tão difícil a coragem da sinceridade!
Tão longe ainda a Primavera!
Mas toca, Vivaldi...
Eduardo Aleixo
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