quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Poema de Rainer Maria Rilke

Hoje por amor de ti rosas
hei-de sentir, rosas sentir por amor de ti,
por amor de ti hoje longo longo
não sentidas rosas sentir, rosas.
Cheias as jarras todas, em si mesmas
deitadas, cada uma cem vezes,
como vales cheios de outros vales
ei-las deitadas, sobreponderadas.
Tão inefáveis como a noite,
seu peso vence o que se lhes rende,
como as estrelas sobre planuras
de esplendor se precipitam.
Noite das rosas noite das rosas.
Noite de rosas noite de muitas muitas
claras rosas, clara noite de rosas,
sono das mil pálpebras de rosas,
claro sono da rosas, sou eu que te durmo:
Claro dormente dos teus aromas, fundo
dormente das tuas frescas intimidades.
Como desfalecente a ti me entrego,
agora tens que responder pelo meu ser.
Meu destino se dissolva
no mais incrível repouso,
e o instinto de abrir-se
sem ferir nenhures, actue.
Espaço de rosas, nascido nas rosas,
nas rosas criado em segredo,
de rosas abertas nos acresce
grande como o do coração, pra que também mesmo fora
nos possamos sentir no espaço das rosas.
( Paris, Julho de 1914 )
Poemas II - Rainer Maria Rilke
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