domingo, 12 de outubro de 2008

Germinaste em mim como um poema...

Germinaste em mim como um poema.
Onde quer que eu estivesse estavas tu.
Sem o saberes,
o teu rosto de silêncio
sentava-se ao meu lado
no deserto preenchido dos dias e das noites.
Quando me perdia de ti,
era esquecido de mim.
Quando me encontrava,
procurava-te.
E quando te procurava,
sabia que era impossível fugir-te,
mesmo que o quisesse.
Quem eras tu?
Sei lá!.
Tinhas tantos nomes!
Eras o mar,
em primeiro lugar.
Depois, o sol, a charneca, o vento,
os rios, as dunas, as estrelas, as árvores,
as crianças, as flores, a música, os frutos, o trigo loiro...
Eras eu,
quando sonhava
só a ti dizer
os mais íntimos segredos...
Sem o saberes,
acompanhaste sempre as minhas travessuras.
Se soubesses por que caminhos
por que becos
ziguezaguearam estonteantes os meus passos!
Sem o saberes
tinha descoberto
que nos descobríamos,
que nos procurávamos,
que sabíamos sempre um d0 outro,
que nos encontrávamos!
Sem o saberes
tinhas-me apontado a fonte
de onde não podia mais retirar
os meus lábios!
E, no entanto,
não havia bebido ainda a água desse encontro sem ter culpa.
Assim crescemos
lado a lado
no deserto do mundo
no silêncio das areias
quando não tínhamos ainda visto o mar!
Eduardo Aleixo
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