sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Traidor azul

Ó mar cobrindo toda a terra!
que são pra ti os continentes?
que vale uma praia, uma serra,
as flores, o campo e as gentes?
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Do teu pedestal soberano
não podes ver a humanidade...
Ela muda em cada ano...
Tu vives toda a eternidade!
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E és sempre o mesmo traidor...
espraiando-te ingénuo e calmo
a representar um amor
que não sentes, cantando um salmo
em que não crês, fingindo dor
que te não dói, voraz in-almo!
( Jorge de Sena, in Obras, Vol 1º, pág 20,
8/9/37 )
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