terça-feira, 1 de julho de 2008

Migo, doce...

A praia de Santana
É concha rica
Redonda
Protegida de coqueiros
Embondeiros
E palmeiras.
O sol pincela estrada de prata
Nas águas claras da baía.
As pedras são negras.
A areia é branca.
As crianças jogam a bola
E dizem-me quando passo:
- Migo, doce...
- Branco, doce...
Eu lamento:
- Já não tenho doces,
Já dei os rebuçados todos,
Já dei as lapiseiras,
Já dei as esferográficas...
Os pescadores falam, sentados,
Junto dos seus barcos,
De velas quadradas,
Feitas de sacas de arroz,
Com que se lançam ao mar
Para pescar
E vender aos ressorts
E riem para mim
E dizem-me adeus.
Eu também lhes digo adeus
Na tarde calma.
O sol também
Por detrás dos coqueiros...
Eduardo Aleixo
  • S. Tomé, Praia de Santana, 29 de Junho.
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